Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023
Mulher de 23 anos apresenta cistites de repetição, principalmente após as relações sexuais. No último ano, foram 8 episódios. Assinale a alternativa que apresenta uma estratégia que NÃO é indicada para a prevenção das cistites nessa paciente.
Cistite recorrente em mulher jovem: estrogênio tópico vaginal NÃO é indicado (reservado para pós-menopausa).
O estrogênio tópico vaginal é uma estratégia eficaz para a prevenção de cistites de repetição em mulheres na pós-menopausa, devido à atrofia urogenital. No entanto, não é indicado para mulheres jovens em idade fértil, como a paciente do caso, que não apresentam deficiência estrogênica.
A cistite de repetição, definida como três ou mais episódios de infecção do trato urinário (ITU) em 12 meses, ou dois ou mais em 6 meses, é uma condição comum e debilitante, especialmente em mulheres jovens. A etiologia é multifatorial, mas a atividade sexual é um gatilho frequente (cistite pós-coito). O manejo envolve a exclusão de anormalidades anatômicas ou funcionais do trato urinário e a implementação de estratégias preventivas. As estratégias de prevenção incluem medidas comportamentais, como a micção logo após as relações sexuais para "lavar" a uretra e reduzir a ascensão bacteriana. Além disso, a profilaxia antibiótica é uma opção eficaz para pacientes com ITU recorrente. Antibióticos como nitrofurantoína (em dose baixa, contínua ou pós-coito) e fosfomicina (em dose única a cada 7-10 dias) são comumente utilizados. Essas abordagens visam reduzir a carga bacteriana e prevenir a colonização da bexiga. No entanto, é crucial diferenciar as indicações de cada terapia. O estrogênio tópico vaginal é uma intervenção comprovadamente eficaz para mulheres na pós-menopausa, onde a deficiência estrogênica leva à atrofia da mucosa vaginal e uretral, alterando o pH e a flora protetora, tornando-as mais suscetíveis a ITUs. Em mulheres jovens, como a paciente do caso, que não apresentam deficiência estrogênica, o estrogênio tópico não tem benefício e, portanto, NÃO é uma estratégia indicada para a prevenção de cistites de repetição.
As cistites de repetição em mulheres jovens frequentemente estão associadas à atividade sexual (cistite pós-coito), fatores genéticos, alterações anatômicas ou comportamentais, e menor resistência local à colonização bacteriana.
A profilaxia antibiótica contínua ou pós-coito é indicada para mulheres com cistites de repetição (geralmente 3 ou mais episódios em 1 ano, ou 2 em 6 meses) após exclusão de outras causas e falha de medidas não farmacológicas.
O estrogênio tópico vaginal é eficaz na prevenção de cistites em mulheres pós-menopausa, pois corrige a atrofia urogenital e restaura a flora vaginal. Em mulheres jovens, que não apresentam deficiência estrogênica, essa terapia não tem benefício e não é indicada.
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