Cistite Recorrente: Diagnóstico e Profilaxia Pós-Coital

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Uma paciente com 23 anos de idade, branca, solteira, procura Unidade Básica de Saúde com queixas de disúria, urgência urinária e aumento da frequência das micções, há dois dias. Nega febre e corrimento vaginal. Informa que teve outros três episódios semelhantes, nos últimos seis meses, com regressão dos sintomas, após tratamento com antimicrobianos. Ao exame físico não apresenta nenhuma alteração relevante. Com vistas à prevenção de futuros episódios, assinale a alternativa que apresenta corretamente o procedimento associado ao surgimento dos sintomas e o tratamento indicado:

Alternativas

  1. A) Uso de camisinha; aplicação de nistatina local.
  2. B) Utilização de tampão vaginal; cefalexina por via endovenosa.
  3. C) Uso de anovulatórios orais; penicilina benzatínica por via intramuscular.
  4. D) Prática de relação sexual vaginal; trimetroprim com sulfametoxazol por via oral.

Pérola Clínica

ITU recorrente + gatilho sexual → Profilaxia pós-coital com dose única de antibiótico (ex: TMP-SMX).

Resumo-Chave

A cistite recorrente é definida por ≥2 episódios em 6 meses ou ≥3 em 1 ano. Quando associada ao coito, a profilaxia pós-coital é a estratégia de escolha.

Contexto Educacional

A cistite não complicada é uma das infecções bacterianas mais comuns na atenção primária. Em mulheres jovens, a recorrência é frequente e impacta significativamente a qualidade de vida. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado em disúria, urgência e frequência miccional, na ausência de sintomas vaginais ou febre. A identificação de fatores desencadeantes, como a atividade sexual, permite a personalização da terapia profilática. O uso de Trimetoprim-sulfametoxazol (TMP-SMX) ou Nitrofurantoína em doses baixas é eficaz tanto em regimes contínuos quanto pós-coitais. A escolha depende da frequência das relações e da preferência da paciente. É fundamental diferenciar a cistite da pielonefrite (presença de febre e dor lombar) para evitar tratamentos excessivamente agressivos ou vias de administração desnecessárias, como a endovenosa em casos ambulatoriais.

Perguntas Frequentes

O que define cistite de repetição?

A cistite de repetição ou recorrente é definida clinicamente pela ocorrência de dois ou mais episódios de infecção do trato urinário (ITU) baixa em um período de seis meses, ou três ou mais episódios em um período de doze meses. É uma condição comum em mulheres jovens e sexualmente ativas, frequentemente relacionada a fatores anatômicos, genéticos e comportamentais, como a frequência de relações sexuais e o uso de espermicidas.

Como funciona a profilaxia pós-coital?

A profilaxia pós-coital consiste na administração de uma dose única de um antibiótico (como Trimetoprim-sulfametoxazol ou Nitrofurantoína) imediatamente após a relação sexual. Esta estratégia é indicada para mulheres que identificam o coito como o principal gatilho para suas infecções urinárias, reduzindo significativamente a taxa de recorrência com menor exposição total a antimicrobianos em comparação à profilaxia contínua diária.

Quais são as orientações não farmacológicas para prevenir ITU?

Além da profilaxia medicamentosa, orienta-se o aumento da ingestão hídrica, micção logo após a relação sexual, evitar o uso de espermicidas e diafragmas, e realizar a higiene perineal da frente para trás. Embora as evidências para algumas dessas medidas sejam variáveis, elas compõem a abordagem inicial e comportamental no manejo da paciente com cistite recorrente.

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