SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2016
Você está atendendo a Paula na USF "Viver Melhor". Ela tem 30 anos e veio te procurar porque há 2 dias apresenta disúria e polaciúria. Não há qualquer outro achado digno de nota na anamnese. O exame físico é normal. Qual a conduta MAIS ADEQUADA, de acordo com a literatura da Atenção Primária à Saúde?
Cistite não complicada em mulher jovem → Tratamento empírico com nitrofurantoína ou fosfomicina.
Em mulheres jovens com sintomas clássicos de cistite não complicada (disúria, polaciúria, urgência) e sem sinais de pielonefrite ou complicações, o tratamento empírico com antibióticos de primeira linha é a conduta mais adequada na APS, sem necessidade de exames complementares iniciais.
A infecção do trato urinário (ITU) não complicada, ou cistite aguda, é uma condição extremamente comum em mulheres jovens, caracterizada por sintomas como disúria, polaciúria e urgência miccional, sem evidência de envolvimento do trato urinário superior ou fatores complicadores. Na Atenção Primária à Saúde (APS), a abordagem diagnóstica e terapêutica visa a eficácia, a segurança e a racionalização de recursos. O diagnóstico da cistite não complicada é predominantemente clínico. Em mulheres com sintomas típicos e sem fatores de risco (como gravidez, diabetes, imunossupressão, anomalias do trato urinário), a probabilidade de ITU é alta, e exames complementares como sumário de urina ou urocultura não são rotineiramente necessários para iniciar o tratamento. A realização desses exames pode atrasar o alívio dos sintomas e aumentar os custos sem alterar a conduta inicial na maioria dos casos. A conduta mais adequada é o tratamento empírico com um antibiótico de primeira linha, como a nitrofurantoína (por 5 dias) ou a fosfomicina (dose única), devido ao seu perfil de segurança, eficácia contra os patógenos mais comuns (principalmente E. coli) e baixa taxa de resistência. Outras opções incluem sulfametoxazol-trimetoprim, se a resistência local for baixa. O norfloxacino, uma fluoroquinolona, é geralmente reservado para casos de falha terapêutica ou quando outras opções não são viáveis, devido ao risco de resistência e efeitos adversos.
Os sintomas clássicos incluem disúria (dor ao urinar), polaciúria (aumento da frequência urinária), urgência miccional e, por vezes, dor suprapúbica. Geralmente, não há febre, dor lombar ou outros sinais sistêmicos.
O tratamento empírico é recomendado devido à alta probabilidade diagnóstica baseada nos sintomas típicos, à eficácia comprovada dos antibióticos de primeira linha e à necessidade de alívio rápido dos sintomas. Isso evita a espera por resultados de exames, que atrasaria o tratamento.
A urocultura é indicada em casos de cistite complicada, falha do tratamento empírico, sintomas atípicos, suspeita de pielonefrite, gestantes, homens, crianças, ou pacientes com comorbidades que aumentam o risco de resistência ou complicações.
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