HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2020
Paciente 25 anos, há 3 meses com polaciúria e urgência miccional, além de dor pélvica em cólica. Nega comorbidades. Relato de múltiplos episódios de ITU tratados com antibioticoterapia sem urinocultura. Assinale a melhor opção de diagnóstico e tratamento:
Polaciúria + urgência + dor pélvica crônica + ITU recorrente negativa = suspeitar cistite intersticial.
A cistite intersticial, ou síndrome da bexiga dolorosa, é uma condição crônica caracterizada por dor pélvica, polaciúria e urgência miccional, na ausência de infecção urinária ou outra patologia identificável. A história de ITUs recorrentes sem confirmação bacteriológica é um sinal de alerta.
A cistite intersticial, também conhecida como síndrome da bexiga dolorosa, é uma condição crônica e debilitante que afeta a bexiga urinária, caracterizada por dor pélvica crônica, polaciúria e urgência miccional na ausência de infecção urinária ou outras patologias identificáveis. Sua etiologia é complexa e multifatorial, envolvendo disfunção da camada protetora da bexiga, inflamação neurogênica e disfunção do assoalho pélvico. O diagnóstico da cistite intersticial é desafiador e de exclusão. A história clínica é fundamental, especialmente a persistência dos sintomas urinários irritativos (polaciúria, urgência) e dor pélvica, mesmo após múltiplos tratamentos para supostas infecções urinárias com culturas negativas. É crucial descartar outras causas como infecções, cálculos, tumores vesicais e endometriose. A cistoscopia com hidrodistensão e biópsia pode ser realizada para excluir outras patologias e identificar lesões de Hunner, que são patognomônicas em alguns casos. O tratamento é sintomático e individualizado, visando aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida. Inclui modificações comportamentais e dietéticas, fisioterapia do assoalho pélvico, medicamentos orais (analgésicos, antidepressivos tricíclicos, anti-histamínicos como hidroxizina, pentosano polissulfato de sódio) e terapias intravesicais. Anticolinérgicos podem ser utilizados para reduzir a urgência e frequência, mas devem ser usados com cautela devido ao risco de exacerbar a dor em alguns pacientes.
Os sintomas clássicos incluem dor pélvica crônica (geralmente relacionada ao enchimento da bexiga e aliviada pela micção), polaciúria (micção frequente) e urgência miccional, na ausência de infecção urinária ou outras causas óbvias.
O diagnóstico é de exclusão, baseado nos sintomas característicos e na ausência de outras condições (como ITU, cálculos, tumores). Exames como urinocultura negativa, cistoscopia com biópsia (para excluir outras patologias e identificar lesões de Hunner) e teste de sensibilidade ao potássio podem auxiliar.
O tratamento é multifacetado e individualizado. Inclui modificações dietéticas, fisioterapia pélvica, medicamentos orais (como amitriptilina, hidroxizina, pentosano polissulfato de sódio) e intravesicais (como DMSO, heparina). Anticolinérgicos podem ser usados para controlar a urgência e frequência, mas com cautela devido ao risco de retenção urinária.
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