Cistite Intersticial: Diagnóstico e Úlceras de Hunner

HAS - Hospital Adventista Silvestre (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 30 anos de idade referindo dor no baixo ventre e desconforto miccional. O exame de EAS foi normal e a urocultura, cujo resultado anatomopatológico foi de úlceras de Hunner. O diagnóstico é:

Alternativas

  1. A) Cistite crônica intersticial
  2. B) Tuberculose
  3. C) Endometriose
  4. D) Neoplasia maligna
  5. E) Doença inflamatória pélvica

Pérola Clínica

Úlceras de Hunner em cistoscopia, com EAS e urocultura normais, são patognomônicas de Cistite Intersticial/Síndrome da Bexiga Dolorosa.

Resumo-Chave

A cistite intersticial, também conhecida como Síndrome da Bexiga Dolorosa, é um diagnóstico de exclusão caracterizado por dor pélvica crônica e sintomas urinários irritativos, na ausência de infecção ou outras causas óbvias. As úlceras de Hunner, quando presentes na cistoscopia, são um achado distintivo.

Contexto Educacional

A cistite intersticial, também conhecida como Síndrome da Bexiga Dolorosa (SBD), é uma condição crônica caracterizada por dor pélvica, pressão ou desconforto relacionados à bexiga, acompanhados por sintomas urinários do trato inferior, como urgência e frequência, na ausência de infecção urinária ou outras patologias identificáveis. Afeta predominantemente mulheres e pode ter um impacto significativo na qualidade de vida. O diagnóstico da cistite intersticial é desafiador e muitas vezes de exclusão. A história clínica detalhada, com a descrição da dor e dos sintomas miccionais, é fundamental. Exames como EAS e urocultura são essenciais para descartar infecções. Quando estes são normais, e a suspeita clínica persiste, a cistoscopia com hidrodistensão pode revelar achados característicos. As úlceras de Hunner são lesões inflamatórias e hemorrágicas que podem ser visualizadas na parede da bexiga durante a cistoscopia e são consideradas patognomônicas da cistite intersticial, embora nem todos os pacientes as apresentem. O tratamento da cistite intersticial é complexo e individualizado, focando no alívio dos sintomas, pois não há cura definitiva. Abordagens incluem modificações no estilo de vida e dieta, fisioterapia do assoalho pélvico, medicamentos orais (analgésicos, antidepressivos tricíclicos, anti-histamínicos, pentosano polissulfato de sódio) e terapias intravesicais (instilações de dimetil sulfóxido - DMSO, heparina, lidocaína). Em casos refratários, podem ser consideradas intervenções cirúrgicas, como neuromodulação sacral ou, em último caso, cistectomia com derivação urinária.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da cistite intersticial?

Os sintomas incluem dor pélvica crônica, urgência e frequência urinária, noctúria, e dor que piora com o enchimento da bexiga e melhora após a micção, na ausência de infecção.

Como as úlceras de Hunner são diagnosticadas?

As úlceras de Hunner são lesões inflamatórias e hemorrágicas na parede da bexiga, diagnosticadas por cistoscopia com hidrodistensão, sendo um achado característico, mas não obrigatório, da cistite intersticial.

Qual o tratamento para a cistite intersticial?

O tratamento é multidisciplinar e visa o alívio dos sintomas, incluindo modificações dietéticas, fisioterapia pélvica, medicamentos orais (amitriptilina, pentosano polissulfato de sódio) e intravesicais (DMSO, heparina).

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