Cistite por Proteus ESBL: Diagnóstico e Conduta

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 87 anos refere disúria, leve polaciúria e odor fétido da urina. AP: HAS, DM2, doença de Parkinson; é moradora de UNESP de longa permanência e apresenta infecções urinárias de repetição. EF: sinal de Giordano negativo. Cultura de urina (imagem). O diagnóstico e a conduta são: --- Urocultura + Antibiograma | Campo | Resultado | | ------------------ | ------------------- | | Resultado | Positivo | | Microorganismo | *Proteus mirabilis* | | Número de colônias | 100.000 UFC/mL | | Antibiótico | Sensibilidade | | ------------------------------- | ------------- | | Amicacina | S | | Amoxicilina + Ácido clavulânico | R | | Cefalexina | R | | Cefepime | S | | Ceftriaxona | R | | Ciprofloxacina | R | | Ertapenem | S | | Fosfomicina | R | | Gentamicina | S | | Meropenem | S | | Nitrofurantoína | R | | Norfloxacina | R | | Sulfazotrim | R | | Informação adicional | Descrição | | -------------------- | -------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- | | Material | Urina | | Método | Cultura em meio específico e disco-difusão | | Observação | O micro-organismo isolado é produtor de ESBL. As penicilinas, cefalosporinas e os monobactâmicos podem estar associados à falha terapêutica. |

Alternativas

  1. A) Cistite; deve ser tratada com amicacina em dose única, já que apresenta sensibilidade ao antibiograma.
  2. B) Bacteriúria assintomática; não deve ser tratada, pois sintomas inespecíficos não devem ser valorizados em idosos institucionalizados ou com quadro neurológico.
  3. C) Cistite; deve ser tratada com cefepime, já que apresenta sensibilidade ao antibiograma.
  4. D) Pielonefrite; deve ser tratada com a combinação de duplo carbapenêmicos, meropenem e ertapenem, por 10 a 14 dias.

Pérola Clínica

Sintomas urinários + Cultura + → Cistite; ESBL-positivo → Carbapenêmicos ou Aminoglicosídeos.

Resumo-Chave

Em idosos sintomáticos, a presença de urocultura positiva confirma ITU. O perfil ESBL exige antibióticos específicos como amicacina ou carbapenêmicos.

Contexto Educacional

O manejo de Infecções do Trato Urinário (ITU) em idosos exige distinção entre colonização e infecção. A paciente apresenta sintomas clássicos (disúria, polaciúria), o que afasta bacteriúria assintomática. O isolamento de Proteus mirabilis produtor de ESBL é um desafio terapêutico, pois invalida o uso de cefalosporinas e quinolonas comuns. O antibiograma mostra sensibilidade à Amicacina, uma opção viável para tratamento de cistite (infecção baixa), especialmente quando há resistência a opções orais. O sinal de Giordano negativo ajuda a excluir pielonefrite clínica inicial, embora a vigilância seja necessária em pacientes com DM2 e Parkinson.

Perguntas Frequentes

Quando tratar bacteriúria em idosos?

Apenas se houver sintomas urinários claros (disúria, urgência, polaciúria) ou sinais sistêmicos de infecção. Em idosos institucionalizados, a bacteriúria assintomática é comum e não deve ser tratada rotineiramente para evitar resistência bacteriana.

O que caracteriza um microrganismo ESBL?

ESBL (Beta-lactamase de Espectro Estendido) são enzimas que conferem resistência a penicilinas, cefalosporinas (incluindo 3ª e 4ª gerações) e monobactâmicos. O tratamento geralmente requer carbapenêmicos ou aminoglicosídeos sensíveis.

Por que usar Amicacina na cistite?

A Amicacina é um aminoglicosídeo com alta concentração urinária. Em casos de cistite por germes multirresistentes (como ESBL) sensíveis no antibiograma, doses únicas ou esquemas curtos podem ser eficazes e poupar carbapenêmicos.

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