Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Uma paciente de 32 anos procura atendimento médico com queixa de dor e ardência ao urinar, aumento da frequência urinária e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, que começaram há 3 dias. Nega febre, corrimento vaginal ou dores abdominais. Diante do quadro clínico, qual é o tratamento mais indicado para essa paciente com infecção urinária não complicada?
Cistite aguda não complicada em mulher → Nitrofurantoína, Fosfomicina ou SMX+TMP são as primeiras escolhas, a depender da resistência local de E. coli.
A nitrofurantoína é uma excelente opção de primeira linha para cistite não complicada. Ela atinge altas concentrações na urina com mínima absorção sistêmica, agindo diretamente no foco da infecção, e mantém baixas taxas de resistência da E. coli, principal agente etiológico.
A cistite aguda não complicada é uma das infecções bacterianas mais comuns na prática clínica, definida como uma infecção do trato urinário baixo (bexiga) em mulheres não grávidas, na pré-menopausa e sem comorbidades ou anormalidades urológicas conhecidas. O principal agente etiológico em mais de 80% dos casos é a Escherichia coli. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado nos sintomas clássicos de disúria, polaciúria e urgência miccional. O tratamento visa a erradicação do patógeno e o alívio dos sintomas. A escolha do antibiótico deve ser empírica, baseada nos padrões de sensibilidade locais. As diretrizes atuais recomendam como primeira linha a nitrofurantoína (100 mg, 2x/dia por 5 dias), a fosfomicina trometamol (3g, dose única) ou o sulfametoxazol-trimetoprima (SMX-TMP), caso a taxa de resistência local da E. coli seja inferior a 20%. Outros medicamentos apresentados na questão, como metronidazol, doxiciclina e azitromicina, não são indicados para o tratamento de cistite, pois não possuem espectro de ação adequado contra os uropatógenos comuns ou não atingem concentração urinária eficaz. O fluconazol é um antifúngico. A escolha da nitrofurantoína é justificada por sua eficácia, baixo impacto na microbiota intestinal e perfil de resistência favorável.
Os sintomas típicos incluem disúria (dor ou ardência ao urinar), polaciúria (aumento da frequência urinária), urgência miccional e dor suprapúbica. A ausência de febre, calafrios e dor lombar é importante para diferenciar de uma pielonefrite (infecção alta).
A nitrofurantoína é eficaz porque se concentra na bexiga, tratando a infecção localmente com pouco efeito sistêmico. Além disso, a resistência da E. coli, principal bactéria causadora de cistite, à nitrofurantoína permanece baixa em muitas comunidades, tornando-a uma opção confiável de primeira linha.
Uma ITU é considerada complicada em pacientes com fatores que aumentam o risco de falha terapêutica ou complicações, como homens, gestantes, pacientes com diabetes descompensado, imunossupressão, anomalias anatômicas do trato urinário, ou presença de cateter vesical.
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