SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Mulher, 19 anos de idade, é atendida na UPA com queixa de disúria, há 2 dias, associada a polaciúria. Refere que a urina está avermelhada. Nega dor lombar ou febre. Nega comorbidades e uso recente de antibióticos. Faz uso de anticoncepcional oral de forma regular. Ao exame físico, sinais vitais estáveis, afebril. Leve dor à palpação em região suprapúbica, sinal de Giordano negativo, sem outras alterações no exame segmentar.Quanto aos exames complementares a serem solicitados no caso, é possível afirmar que
Cistite não complicada em mulher jovem = Diagnóstico clínico + Urina I (se necessário) → Tratamento empírico.
Em mulheres jovens, hígidas e com sintomas típicos de cistite (disúria, polaciúria), o diagnóstico é clínico. O sumário de urina auxilia, mas a urocultura é dispensável em casos não complicados.
A cistite aguda não complicada é uma das infecções bacterianas mais frequentes em mulheres em idade fértil. A patogenia envolve a ascensão de uropatógenos da microbiota perineal (principalmente E. coli) pela uretra curta feminina. O quadro clínico clássico inclui disúria, frequência urinária aumentada, urgência e dor suprapúbica, na ausência de sintomas vaginais ou sistêmicos. As diretrizes atuais (como as da IDSA e Febrasgo) enfatizam o tratamento empírico baseado na clínica. A realização de exames de imagem como ultrassonografia é reservada para casos de suspeita de obstrução, cálculos ou ITUs de repetição. O manejo racional evita custos desnecessários e o uso excessivo de antibióticos de amplo espectro, focando em opções como Nitrofurantoína ou Fosfomicina.
A urocultura deve ser solicitada em casos de ITU complicada: gestantes, homens, idosos, crianças, pacientes com anomalias anatômicas, imunossuprimidos, suspeita de pielonefrite (febre, dor lombar), sintomas recorrentes ou falha no tratamento inicial. Na cistite simples da mulher jovem, a probabilidade pré-teste é alta o suficiente para dispensá-la.
Não necessariamente. A hematúria (micro ou macroscópica) é um achado comum na cistite hemorrágica e, isoladamente, não define complicação ou necessidade de exames de imagem. O foco deve ser a ausência de sinais sistêmicos (febre) ou dor lombar, que sugeririam pielonefrite.
O sumário de urina ajuda a confirmar a presença de piúria, nitrito positivo ou hematúria, reforçando o diagnóstico clínico. Embora em casos muito típicos o tratamento possa ser iniciado apenas com a anamnese, o EAS é um exame rápido e de baixo custo que valida a conduta empírica sem o atraso da urocultura.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo