Cistite Aguda Não Complicada: Diagnóstico e Tratamento

HMDI - Hospital e Maternidade Dona Iris (GO) — Prova 2020

Enunciado

Lúcia, cabeleireira de 25 anos, vai à Unidade de Saúde solicitando uma ultrassonografia de rins e vias urinárias. Afirma que o pedido se deve ao fato de ter iniciado quadro de disúria, polaciúria e hematúria há três dias. Ao examiná-la, o médico percebe que a paciente está em bom estado geral, sua temperatura axilar é de 36,8ºC, apresenta dor à palpação de hipogástrio e Giordano é negativo bilateralmente. A conduta adequada neste caso é a

Alternativas

  1. A) solicitação de ultrassonografia e prescrição de ciprofloxacino 500 mg 12/12 horas por 7 dias.
  2. B) solicitação de EAS e urocultura, além de prescrição de nitrofurantoina 100 mg 6/6 horas por 5 dias.
  3. C) prescrição de sulfametoxazol + trimetoprima 800/160 mg 12/12 horas por 3 dias.
  4. D) solicitação de urocultura e prescrição de ofloxacino 200 mg 12/12 horas por 7 dias.

Pérola Clínica

Mulher jovem com cistite não complicada (disúria, polaciúria, hematúria, Giordano -): sulfametoxazol + trimetoprima por 3 dias.

Resumo-Chave

Em casos de cistite aguda não complicada em mulheres jovens e saudáveis, o tratamento empírico com antibióticos de curta duração é a conduta adequada. O sulfametoxazol-trimetoprima por 3 dias é uma opção eficaz e recomendada, sem necessidade de exames complementares iniciais se o quadro for típico.

Contexto Educacional

A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns, especialmente em mulheres. A cistite aguda não complicada refere-se a uma infecção da bexiga em mulheres não grávidas, pré-menopausa, sem anormalidades anatômicas ou funcionais do trato urinário e sem comorbidades significativas. É uma condição benigna, mas que causa desconforto significativo. O diagnóstico da cistite aguda não complicada é predominantemente clínico, baseado na tríade clássica de disúria (dor ao urinar), polaciúria (aumento da frequência miccional) e urgência miccional, frequentemente acompanhada de dor suprapúbica e, por vezes, hematúria. A ausência de febre, dor lombar ou sinal de Giordano negativo bilateralmente sugere que a infecção está restrita ao trato urinário inferior, descartando pielonefrite. Em um cenário clínico típico, exames complementares como EAS e urocultura não são mandatórios antes do início do tratamento. A conduta adequada envolve o tratamento empírico com antibióticos de curta duração. O sulfametoxazol-trimetoprima por 3 dias é uma das opções de primeira linha, eficaz e bem tolerada, desde que a taxa de resistência local não seja elevada (>20%). Outras opções incluem nitrofurantoína por 5 dias ou fosfomicina em dose única. A escolha do antibiótico deve considerar o perfil de resistência local e as alergias do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar uma cistite aguda não complicada?

O diagnóstico é clínico, baseado na presença de sintomas como disúria, polaciúria, urgência miccional e, por vezes, hematúria, em mulheres não grávidas, sem comorbidades significativas ou anormalidades anatômicas do trato urinário.

Por que não são necessários exames complementares como ultrassonografia ou urocultura em casos típicos de cistite não complicada?

Em casos típicos, a probabilidade de ITU é alta e o tratamento empírico é eficaz. Exames são reservados para casos com sintomas atípicos, falha terapêutica, recorrência, ou em pacientes com fatores de complicação (gravidez, diabetes, imunossupressão).

Quais são as opções de tratamento de primeira linha para cistite não complicada e suas durações?

As opções de primeira linha incluem sulfametoxazol-trimetoprima (3 dias), nitrofurantoína (5 dias) e fosfomicina (dose única). A escolha depende da prevalência de resistência local e da tolerância do paciente.

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