Cistite Aguda Não Complicada: Diagnóstico e Manejo

HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 56 anos dá entrada no PS da Ginecologia com disúria e polaciúria há 1 dia, nega febre e relata início de relacionamento com novo parceiro. Refere ter pesquisado no Google sobre seus sinais e sintomas e pede que o médico de plantão solicite exames de urina, urocultura, ultrassom de rins e vias urinárias e ressonância nuclear magnética de abdome e pelve. Nesse caso,

Alternativas

  1. A) há necessidade de ultrassonografia de vias urinárias superiores, por ser caso de cistite que ocorre acima dos 50 anos.
  2. B) a ressonância nuclear magnética é exame preferencial para a exclusão de pielonefrite.
  3. C) não existe a necessidade de exames subsidiários para o diagnóstico de cistite aguda não complicada.
  4. D) os exames de urina e urocultura são necessários para nortear a antibioticoterapia em mulheres sexualmente ativas.

Pérola Clínica

Cistite aguda não complicada = diagnóstico clínico (disúria, polaciúria, urgência) sem febre/sinais sistêmicos → não precisa de exames.

Resumo-Chave

Em mulheres não grávidas com sintomas clássicos de cistite (disúria, polaciúria, urgência) e sem sinais de complicação (febre, dor lombar, náuseas/vômitos), o diagnóstico é clínico e o tratamento empírico pode ser iniciado sem exames complementares.

Contexto Educacional

A cistite aguda não complicada é uma infecção do trato urinário (ITU) comum em mulheres, caracterizada por sintomas de disúria, polaciúria e urgência miccional, sem sinais de infecção sistêmica (como febre) ou complicações anatômicas/funcionais do trato urinário. É mais frequente em mulheres jovens e sexualmente ativas, mas pode ocorrer em qualquer idade. O diagnóstico da cistite aguda não complicada é primariamente clínico. A presença dos sintomas clássicos, na ausência de febre, dor lombar ou náuseas/vômitos, é suficiente para iniciar o tratamento empírico. Exames complementares como exame de urina (uroanálise) e urocultura não são rotineiramente necessários nesses casos, pois não alteram significativamente a conduta inicial e podem gerar custos desnecessários ou atrasar o tratamento. O tratamento consiste em antibioticoterapia de curta duração, com opções como nitrofurantoína, fosfomicina ou sulfametoxazol-trimetoprim, selecionadas com base em padrões de resistência locais e histórico do paciente. É fundamental orientar a paciente sobre a importância da adesão ao tratamento e sobre os sinais de alerta para complicações, como o surgimento de febre ou piora dos sintomas, que indicariam a necessidade de reavaliação e possivelmente exames adicionais.

Perguntas Frequentes

Quais os sintomas clássicos da cistite aguda não complicada?

Os sintomas clássicos incluem disúria (dor ao urinar), polaciúria (aumento da frequência urinária), urgência miccional, dor suprapúbica e, por vezes, hematúria. Ausência de febre, dor lombar e náuseas/vômitos é crucial para a definição de 'não complicada'.

Quando é necessário solicitar urocultura para cistite?

A urocultura é indicada em casos de cistite complicada (febre, comorbidades, gravidez, ITU de repetição), falha terapêutica, sintomas atípicos, ou quando há suspeita de pielonefrite. Em cistite não complicada, não é rotina.

Qual o tratamento empírico recomendado para cistite aguda não complicada?

O tratamento empírico geralmente envolve antibióticos de curta duração, como nitrofurantoína, fosfomicina ou sulfametoxazol-trimetoprim, conforme a sensibilidade local e diretrizes. A escolha depende de fatores como alergias e histórico de uso de antibióticos.

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