Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026
Paciente atendida em unidade básica de saúde, estudante do sexo feminino, 22 anos, sem comorbidades, apresenta disúria e polaciúria, há 24 horas, sem febre ou dor lombar. Nuligesta e sem uso recente de medicamentos. EAS: leucócito-esterase positiva, nitrito positivo e hematúria microscópica. Qual o tratamento MAIS adequado?
Cistite não complicada em mulher jovem → Nitrofurantoína 100mg 12/12h por 5 dias (1ª escolha).
Em mulheres jovens com sintomas típicos de cistite e sem sinais de gravidade (febre/dor lombar), o tratamento é empírico, preferindo-se drogas com baixa resistência local.
A cistite aguda é uma das infecções bacterianas mais comuns em mulheres em idade fértil. O diagnóstico é eminentemente clínico, e exames de urina (EAS) servem para corroborar a suspeita através da presença de nitrito e leucocitúria. O manejo atual prioriza o uso racional de antibióticos, evitando drogas de amplo espectro para infecções localizadas.
A Nitrofurantoína é considerada primeira linha devido à sua alta eficácia contra a E. coli, baixa taxa de resistência bacteriana e perfil de segurança favorável, concentrando-se quase exclusivamente na bexiga. As quinolonas devem ser reservadas para casos de pielonefrite ou cistites complicadas, visando mitigar a crescente resistência bacteriana global e evitar efeitos adversos sistêmicos como tendinopatias.
Na cistite aguda não complicada em mulheres não gestantes, a urocultura geralmente é dispensável. Ela deve ser solicitada em casos de: suspeita de pielonefrite, sintomas atípicos, falha terapêutica, recorrência dos sintomas em menos de 4 semanas, gestantes, homens ou pacientes com anormalidades estruturais do trato urinário.
A Fosfomicina trometamol é uma excelente opção de primeira linha para cistite não complicada, administrada em dose única de 3g. Sua principal vantagem é a posologia simplificada, que aumenta a adesão. No entanto, em casos de suspeita de resistência ou infecções recorrentes, a Nitrofurantoína por 5 dias pode apresentar taxas de cura microbiológica ligeiramente superiores em alguns estudos.
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