Cistite Aguda Não Complicada: Diagnóstico e Tratamento

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 32 anos apresenta quadro de disúria, polaciúria e estrangúria, temperatura de 37,8°C e dor suprapúbica, descrito como primeiro episódio. O exame de urina mostra 20 a 30 hemácias por campo e 40 piócitos por campo. A melhor conduta, nesse caso, é:

Alternativas

  1. A) iniciar antibiótico e realizar TC abdominal
  2. B) solicitar cultura de urina e USG abdominal
  3. C) iniciar o antibiótico e avaliar a evolução clínica
  4. D) solicitar cultura de urina e aguardar resultado para iniciar antibiótico

Pérola Clínica

Cistite aguda não complicada em mulher jovem → tratamento empírico com antibiótico, sem necessidade de cultura ou imagem inicial.

Resumo-Chave

O quadro clínico de disúria, polaciúria, estrangúria e dor suprapúbica, associado a piúria e hematúria em mulher jovem sem comorbidades e primeiro episódio, é altamente sugestivo de cistite aguda não complicada. Nesses casos, o tratamento empírico com antibiótico é a conduta de escolha, sem a necessidade de cultura de urina ou exames de imagem como TC ou USG abdominal de rotina. A avaliação da evolução clínica é fundamental.

Contexto Educacional

A infecção do trato urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns, especialmente em mulheres. A cistite aguda não complicada refere-se a uma infecção da bexiga em mulheres não grávidas, sem anormalidades anatômicas ou funcionais do trato urinário e sem comorbidades significativas. É uma condição frequente na prática ambulatorial. O diagnóstico da cistite aguda não complicada é primariamente clínico, baseado nos sintomas característicos como disúria, polaciúria, urgência miccional e dor suprapúbica. A presença de febre baixa pode ocorrer, mas febre alta e dor lombar sugerem pielonefrite. O exame de urina (EAS) tipicamente mostra piúria (leucócitos na urina) e, frequentemente, hematúria. A conduta para cistite aguda não complicada é o tratamento empírico com antibióticos de curta duração, como nitrofurantoína, fosfomicina ou sulfametoxazol-trimetoprim, sem a necessidade de aguardar o resultado da cultura de urina. A cultura é reservada para casos de falha terapêutica, sintomas atípicos, gestantes ou ITUs complicadas. Exames de imagem não são indicados de rotina. A avaliação da resposta clínica ao antibiótico é crucial para confirmar o sucesso do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da cistite aguda não complicada?

Os sintomas clássicos incluem disúria (dor ao urinar), polaciúria (aumento da frequência urinária), urgência miccional e dor suprapúbica, podendo haver estrangúria e, ocasionalmente, febre baixa.

É sempre necessário solicitar cultura de urina para cistite aguda não complicada?

Não. Em mulheres jovens com sintomas típicos de cistite aguda não complicada, o tratamento empírico com antibiótico é a conduta inicial. A cultura de urina é reservada para casos atípicos, falha terapêutica, recorrências ou pacientes com fatores de complicação.

Quando a ultrassonografia abdominal ou TC são indicadas em casos de ITU?

Exames de imagem como USG ou TC não são indicados rotineiramente para cistite aguda não complicada. São considerados em casos de pielonefrite, ITU complicada, falha terapêutica, recorrências frequentes, ou suspeita de anomalias anatômicas do trato urinário.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo