Cistite Aguda Não Complicada: Manejo e Tratamento Empírico

UFS/HU - Hospital Universitário de Sergipe - Aracaju (SE) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 22 anos, procura atendimento no ProntoSocorro com quadro de dor em baixo ventre episódica e relacionada à micção, associada a disúria e eventual estrangúria, de início há cerca de 12 horas. Relata episódio anterior do mesmo quadro há cerca de 04 anos. Vida sexual ativa com sexo desprotegido eventual. Nega corrimentos ou sangramentos vaginais. Ectoscopia vulvar sem alterações. Demais pontos do exame físico sem alterações. A conduta mais acertada frente ao quadro clínico é: 

Alternativas

  1. A) Coletar urocultura para melhor definição diagnóstica. 
  2. B) Solicitar ultrassonografia de vias urinárias. 
  3. C) Iniciar antibioticoterapia empírica ambulatorial voltada para tratar notadamente flora gram negativa. 
  4. D) Internamento hospitalar imediato. 

Pérola Clínica

Cistite aguda não complicada em mulher jovem → ATB empírico para Gram negativos, urocultura não é rotina.

Resumo-Chave

Em mulheres jovens com sintomas clássicos de cistite aguda não complicada (disúria, polaciúria, urgência, dor suprapúbica), o tratamento empírico com antibióticos é a conduta inicial. A urocultura é reservada para casos atípicos, falha terapêutica ou recorrência.

Contexto Educacional

A cistite aguda não complicada é uma das infecções bacterianas mais comuns em mulheres jovens, com alta prevalência e recorrência. É uma infecção do trato urinário inferior que, embora geralmente benigna, causa desconforto significativo e impacta a qualidade de vida. O reconhecimento rápido e o manejo adequado são cruciais para aliviar os sintomas e prevenir complicações. A fisiopatologia envolve a ascensão de bactérias da flora periuretral (principalmente Escherichia coli) para a bexiga. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado nos sintomas característicos de disúria, polaciúria, urgência e dor suprapúbica. A ausência de febre, dor lombar ou sinais de comprometimento sistêmico diferencia a cistite não complicada de infecções mais graves, como a pielonefrite. O tratamento consiste em antibioticoterapia empírica de curta duração, visando a flora Gram-negativa. A escolha do antibiótico deve considerar o perfil de resistência local e as características da paciente. A urocultura não é necessária na maioria dos casos, sendo reservada para situações específicas como falha terapêutica, infecções recorrentes, gestação ou comorbidades. O alívio dos sintomas geralmente ocorre em 24-48 horas após o início do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da cistite aguda não complicada?

Os sintomas clássicos incluem disúria (dor ao urinar), polaciúria (aumento da frequência urinária), urgência miccional e dor suprapúbica. Pode haver também estrangúria.

Quando a urocultura é indicada na suspeita de cistite aguda?

A urocultura não é rotineiramente indicada em casos típicos de cistite aguda não complicada. Ela é reservada para gestantes, casos de falha terapêutica, infecções recorrentes, pielonefrite ou pacientes com comorbidades.

Qual o tratamento empírico inicial para cistite aguda não complicada?

O tratamento empírico inicial visa bactérias Gram-negativas, como Escherichia coli. Opções comuns incluem nitrofurantoína, fosfomicina ou sulfametoxazol-trimetoprim, dependendo da prevalência de resistência local.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo