Cistite Aguda: Diagnóstico Clínico e Diferencial

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma mulher de 24 anos, previamente hígida e sem comorbidades conhecidas, procura a unidade de pronto atendimento com queixa de dor e ardência ao urinar iniciadas há 48 horas. Ela relata que precisa ir ao banheiro diversas vezes ao dia, eliminando pequenas quantidades de urina, e refere uma sensação persistente de peso na parte inferior do abdome. Nega a presença de febre, calafrios, náuseas ou dor nas costas. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, corada, hidratada e afebril (temperatura axilar de 36,5 °C). A frequência cardíaca é de 78 bpm e a pressão arterial de 120/80 mmHg. À palpação abdominal, nota-se discreto desconforto em região suprapúbica, sem sinais de peritonite. A punho-percussão lombar (sinal de Giordano) é negativa bilateralmente. Com base no quadro clínico apresentado, o diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Vaginose bacteriana
  2. B) Pielonefrite aguda
  3. C) Cistite aguda
  4. D) Uretrite gonocócica

Pérola Clínica

Disúria + Polaciúria + Dor suprapúbica - Febre - Dor lombar = Cistite Aguda.

Resumo-Chave

A cistite aguda é uma infecção bacteriana da bexiga, caracterizada por sintomas irritativos miccionais localizados, sem evidência de comprometimento sistêmico ou renal.

Contexto Educacional

A cistite aguda é uma das infecções bacterianas mais comuns em mulheres em idade fértil, com alta taxa de recorrência. A patogênese envolve a ascensão de bactérias da flora perineal e fecal através da uretra até a bexiga. O diagnóstico baseia-se na tríade de disúria, polaciúria e urgência miccional. A ausência de febre e de dor lombar (sinal de Giordano negativo) é fundamental para excluir pielonefrite. O tratamento precoce visa o alívio dos sintomas e a prevenção da progressão para o trato urinário superior, sendo a nitrofurantoína e o fosfomicina trometamol as opções de primeira linha atuais devido à baixa resistência da E. coli.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais patógenos causadores de cistite?

A grande maioria das infecções do trato urinário (ITU) não complicadas em mulheres jovens é causada pela bactéria Gram-negativa Escherichia coli, responsável por cerca de 75% a 90% dos casos. Outros patógenos comuns incluem o Staphylococcus saprophyticus (especialmente em mulheres sexualmente ativas), Klebsiella pneumoniae e Proteus mirabilis. O conhecimento da flora local é essencial para a escolha da antibioticoterapia empírica, embora em casos de cistite não complicada em mulheres hígidas, o tratamento possa ser iniciado sem a necessidade de urocultura prévia, baseando-se apenas nos sintomas clínicos clássicos.

Quando solicitar exames complementares na suspeita de cistite?

Em mulheres jovens com sintomas típicos de cistite aguda (disúria, frequência, urgência) e sem fatores de risco para complicações, o diagnóstico é clínico e o tratamento empírico pode ser iniciado imediatamente. A urocultura e o exame de urina (EAS) são indicados em casos de suspeita de pielonefrite, sintomas atípicos, falha no tratamento inicial, recorrência dos sintomas em menos de 2 a 4 semanas ou em gestantes. A presença de febre, dor lombar ou instabilidade hemodinâmica deve sempre alertar para a necessidade de investigação de infecção do trato urinário superior.

Como diferenciar cistite de uretrite e vaginose?

A diferenciação é baseada na história clínica e no exame físico. A cistite apresenta dor suprapúbica e sintomas miccionais claros. A uretrite (frequentemente por DSTs como clamídia ou gonococo) costuma apresentar disúria, mas frequentemente está associada a corrimento uretral e tem um início mais gradual. Já a vaginose ou vaginite causa prurido vaginal, dispareunia e corrimento vaginal com odor, e a disúria descrita pela paciente costuma ser 'externa' (ardência quando a urina toca a mucosa inflamada), sem a polaciúria ou dor suprapúbica típicas da cistite aguda.

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