UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023
Diane, 26 anos, comparece à consulta com queixas de disúria e polaciúria há 2 dias. O médico que a atendeu ficou com dúvidas a respeito da confiabilidade dos dados da história para definir o diagnóstico de cistite, ou se seriam necessários exames complementares, como EAS e urocultura. Fez uma busca na internet e encontrou um artigo mencionando que a combinação de disúria, polaciúria e ausência de corrimento vaginal tem um valor preditivo positivo (VPP) para cistite de 90%. Diante disso, o médico concluiu que poderia iniciar o tratamento para cistite
Disúria + polaciúria + ausência de corrimento vaginal → VPP 90% para cistite, permite tratamento empírico.
A combinação de sintomas clássicos de cistite (disúria, polaciúria) com a ausência de sintomas de vaginite (corrimento vaginal) em mulheres jovens e saudáveis tem um alto valor preditivo positivo, tornando o diagnóstico clínico confiável e permitindo o tratamento empírico imediato.
A cistite aguda não complicada é uma das infecções bacterianas mais comuns em mulheres jovens e saudáveis. Caracteriza-se por sintomas urinários irritativos, como disúria, polaciúria e urgência miccional, sem evidência de envolvimento do trato urinário superior ou fatores de complicação. O diagnóstico da cistite não complicada é predominantemente clínico. A combinação de disúria e polaciúria, especialmente na ausência de corrimento vaginal (que sugere vaginite ou cervicite), possui um alto valor preditivo positivo para cistite. Isso significa que, com esses sintomas, a probabilidade de a paciente realmente ter cistite é muito alta. Diante de um quadro clínico típico e um alto valor preditivo positivo, o tratamento empírico com antibióticos de curta duração é a conduta mais adequada. A solicitação rotineira de exames complementares como EAS e urocultura pode atrasar o início do tratamento, prolongar o sofrimento da paciente e aumentar os custos de saúde desnecessariamente.
Os sintomas clássicos incluem disúria (dor ao urinar), polaciúria (aumento da frequência urinária), urgência miccional e dor suprapúbica. Pode haver também hematúria macroscópica.
O tratamento empírico é recomendado devido à alta probabilidade de cistite em mulheres jovens com sintomas típicos e ausência de fatores de complicação, além do alto VPP da combinação de sintomas, permitindo alívio rápido e evitando exames desnecessários.
EAS e urocultura são indicados em casos atípicos, sintomas persistentes após tratamento, suspeita de pielonefrite, gestantes, homens, crianças, imunocomprometidos ou pacientes com comorbidades que compliquem a ITU.
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