Cistite Aguda: Fatores de Virulência da E. coli

HVV - Hospital Vaz Monteiro - Lavras (MG) — Prova 2024

Enunciado

A cistite aguda é definida como infecção bacteriana vesical e representa aproximadamente 95% de todas as Infecções do Trato Urinário (ITU) sintomáticas. Estima-se que 40 a 50% das mulheres apresentarão ao menos um episódio de cistite no decorrer da vida e, dentre estas, aproximadamente 25% sofrerão um ou mais novos episódios. No contexto do tema apresentado, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) Considera-se positiva para ITU a cultura de urina em amostra de jato médio com números maiores ou iguais a 1.000 UFC.
  2. B) Pacientes com cistite aguda frequentemente apresentam quadro súbito de disúria, náuseas e/ou vômitos, febre e desconforto suprapúbico.
  3. C) Adesinas fimbriais e não fimbriais, sideróforos e toxinas secretadas são fatores de virulência da Escherichia coli uropatogênica.
  4. D) Cefalosporinas de segunda geração podem ser drogas de primeira escolha em comunidades com resistência comprovada a E. coli menor do que 20%.

Pérola Clínica

E. coli uropatogênica possui adesinas, sideróforos e toxinas como fatores de virulência essenciais para cistite.

Resumo-Chave

A Escherichia coli é o principal agente etiológico da cistite aguda, e sua patogenicidade é amplamente determinada por fatores de virulência como adesinas (fimbriais e não fimbriais), que permitem a aderência ao urotélio, sideróforos para captação de ferro e diversas toxinas que contribuem para a inflamação e dano tecidual.

Contexto Educacional

A cistite aguda é uma das infecções bacterianas mais comuns, especialmente em mulheres, e representa uma parcela significativa das Infecções do Trato Urinário (ITU). A Escherichia coli é responsável pela vasta maioria dos casos, sendo crucial compreender seus mecanismos de virulência para entender a patogênese da doença. A patogenicidade da E. coli uropatogênica (UPEC) é multifatorial, envolvendo uma série de fatores de virulência que permitem a colonização, adesão, evasão da resposta imune e dano tecidual. Entre eles, destacam-se as adesinas (fimbriais, como as P fimbriae, e não fimbriais), que são essenciais para a ligação às células uroteliais. Outros fatores incluem sideróforos, que sequestram ferro do hospedeiro, e diversas toxinas, como a hemolisina e a toxina necrotizante citotóxica (CNF1), que contribuem para a inflamação e lesão celular. O diagnóstico da cistite aguda é primariamente clínico, baseado em sintomas como disúria, polaciúria e urgência. A cultura de urina é importante para confirmar o diagnóstico e guiar a escolha do antibiótico, especialmente em casos de falha terapêutica ou ITUs recorrentes. O tratamento empírico inicial deve considerar os padrões de resistência locais.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de virulência da Escherichia coli uropatogênica na cistite?

Os principais fatores de virulência incluem adesinas fimbriais (como P fimbriae) e não fimbriais, que permitem a aderência ao urotélio, sideróforos para captação de ferro e diversas toxinas, como a hemolisina, que causam dano tecidual e inflamação.

Qual o papel das adesinas fimbriais na patogênese da ITU?

As adesinas fimbriais permitem que a E. coli se ligue especificamente às células epiteliais do trato urinário, resistindo ao fluxo da urina e iniciando a colonização e infecção.

Qual o critério para considerar uma cultura de urina positiva para ITU em amostra de jato médio?

Para ITU sintomática em mulheres, uma cultura de urina em amostra de jato médio é geralmente considerada positiva com contagens de colônias ≥ 10^3 UFC/mL para uropatógenos como E. coli. O valor de 1.000 UFC/mL é muito baixo para ser considerado positivo de forma geral.

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