SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024
A cirurgia de Vaughan pode ser utilizada no tratamento de:
Cirurgia de Vaughan = Reparo primário (sutura) de laceração duodenal traumática.
A cirurgia de Vaughan refere-se à técnica de sutura primária para lesões duodenais traumáticas, sendo fundamental o desbridamento de tecidos desvitalizados antes do fechamento.
O trauma duodenal é uma condição rara, mas potencialmente devastadora, ocorrendo em menos de 5% dos traumas abdominais. Devido à sua posição protegida, lesões duodenais geralmente resultam de traumas de alta energia e estão frequentemente associadas a outras lesões viscerais e vasculares. O diagnóstico precoce é difícil, pois os sinais de peritonite podem ser mascarados pela localização retroperitoneal. A cirurgia de Vaughan representa o pilar do tratamento cirúrgico conservador do órgão. A técnica preconiza o fechamento transversal da laceração (sempre que possível) para evitar a redução do lúmen duodenal. A compreensão da anatomia cirúrgica, incluindo a manobra de Kocher para exposição da segunda e terceira porções e a manobra de Cattell-Braasch para a terceira e quarta porções, é essencial para o sucesso do procedimento. O manejo pós-operatório exige vigilância rigorosa para detecção precoce de fístulas pancreatoduodenais.
A cirurgia de Vaughan é o termo clássico utilizado para descrever o reparo primário de uma laceração duodenal decorrente de trauma. O procedimento envolve a identificação da lesão (frequentemente após manobras de mobilização como a de Kocher), o desbridamento cuidadoso das bordas da ferida para garantir tecido viável e bem vascularizado, e o fechamento da laceração em um ou dois planos de sutura. O objetivo é restaurar a integridade da parede duodenal sem causar estenose significativa da luz do órgão. É a técnica de escolha para a maioria das lesões duodenais traumáticas (Grau I e II da AAST).
O duodeno apresenta desafios cirúrgicos únicos devido à sua localização retroperitoneal fixa, sua parede relativamente fina e o suprimento sanguíneo compartilhado com a cabeça do pâncreas. Além disso, o duodeno é banhado por cerca de 6 litros de secreções digestivas altamente corrosivas (bile, suco pancreático e gástrico) diariamente. Essas secreções podem comprometer a linha de sutura, levando a fístulas duodenais, que possuem alta morbidade. Por isso, em lesões complexas, o reparo de Vaughan pode ser complementado com técnicas de descompressão ou exclusão pilórica para proteger a anastomose.
Embora a cirurgia de Vaughan (reparo primário) seja eficaz para lesões simples, lesões mais extensas (Grau III ou superior), que envolvem mais de 50% da circunferência duodenal ou que estão associadas a lesões pancreáticas graves, exigem condutas adicionais. Nesses casos, o cirurgião pode optar pela 'exclusão pilórica' (fechamento do piloro com sutura e realização de gastrojejunostomia) ou pela técnica de 'diverticulização duodenal'. O objetivo dessas manobras é desviar o trânsito alimentar e as secreções gástricas da área reparada, reduzindo a pressão intraluminal e o risco de deiscência da sutura de Vaughan.
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