PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024
Um homem de 65 anos com histórico médico de hipertensão chega ao pronto- socorro com queixa de sangramento retal há 3 meses. No toque retal, nota-se uma massa e presença de pouco sangue. Uma avaliação proctoscópica localiza a massa no reto anterior a apenas 4 cm da linha denteada. A colonoscopia não revela nenhuma lesão concomitante e uma biópsia confirma que a massa é um adenocarcinoma. Na ultrassonografia endoscópica, a massa se estende através da camada muscular própria com um linfonodo anormal. Não há envolvimento dos músculos esfincterianos. Sua avaliação inclui tomografia computadorizada de abdome e pelve, sem sinais de metástase. Ele conclui a quimioterapia neoadjuvante e retorna à clínica para discutir o tratamento cirúrgico. Com base na localização do tumor, você recomenda uma ressecção anterior baixa laparoscópica assistida por robótica com uma ileostomia em alça. Qual das afirmações a seguir é verdadeira em relação às diferenças entre a ressecção robótica e laparoscópica do câncer retal?
Robótica no câncer retal → ↓ taxa de conversão para aberta vs laparoscopia, sem ganho oncológico superior.
A cirurgia robótica oferece melhor visualização e destreza em pelves estreitas, resultando em menor necessidade de conversão para via aberta, embora os desfechos oncológicos sejam similares à laparoscopia.
A ressecção anterior baixa (RAB) para câncer de reto médio e baixo exige uma dissecção precisa no plano do mesorreto. A laparoscopia convencional enfrenta limitações físicas na pelve, como instrumentos retos e visão 2D. A robótica surge para mitigar essas dificuldades. O principal achado clínico que favorece a robótica é a menor taxa de conversão para cirurgia aberta, o que reduz a morbidade pós-operatória associada a grandes incisões. No entanto, em termos de sobrevida livre de doença e sobrevida global, as evidências atuais mostram equivalência entre as técnicas minimamente invasivas.
A plataforma robótica proporciona visão 3D estável, instrumentos articulados e melhor ergonomia, facilitando a dissecção em espaços confinados como a pelve masculina estreita. Isso se traduz clinicamente em uma redução significativa na taxa de conversão para cirurgia aberta quando comparada à laparoscopia convencional, especialmente em casos tecnicamente desafiadores.
Estudos multicêntricos, como o ROLARR, demonstraram que não há diferença estatisticamente significativa na qualidade da ressecção mesorretal total (TME), no número de linfonodos colhidos ou na positividade das margens circunferenciais entre as técnicas robótica e laparoscópica.
Atualmente, o custo operacional da cirurgia robótica é superior. Embora haja uma tendência a menor tempo de internação e recuperação mais rápida em alguns subgrupos, a redução de custos por essas vias geralmente não compensa totalmente o investimento inicial e os insumos da plataforma robótica.
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