Cirurgia de Revascularização Miocárdica: Técnicas e Opções

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2021

Enunciado

Com relação à cirurgia de revascularização miocárdica, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) Os enxertos de veia safena possuem perviedade semelhante aos de mamária.
  2. B) deve-se remover toda placa aterosclerótica por endarterectomia coronariana.
  3. C) Não deve ser realizada em pacientes com disfunção ventricular grave.
  4. D) pode ser realizada sem o auxílio da circulação extracorpórea.

Pérola Clínica

CRM pode ser realizada 'off-pump' (sem CEC) em casos selecionados, reduzindo riscos associados à circulação extracorpórea.

Resumo-Chave

A cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) tradicionalmente utiliza circulação extracorpórea (CEC). No entanto, a técnica 'off-pump' (sem CEC) é uma alternativa viável em pacientes selecionados, especialmente aqueles com alto risco para complicações da CEC, oferecendo benefícios como menor resposta inflamatória e menor risco de disfunção orgânica.

Contexto Educacional

A cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) é um procedimento fundamental no tratamento da doença arterial coronariana multiarterial ou de alto risco, visando restaurar o fluxo sanguíneo para áreas isquêmicas do miocárdio. Tradicionalmente, a CRM é realizada com o auxílio da circulação extracorpórea (CEC), que permite parar o coração e realizar as anastomoses em um campo cirúrgico imóvel e sem sangue. No entanto, a CEC está associada a uma resposta inflamatória sistêmica e a potenciais complicações, como disfunção renal, neurológica e pulmonar. Uma alternativa importante é a cirurgia de revascularização miocárdica sem circulação extracorpórea, conhecida como 'off-pump' ou 'beating heart surgery'. Nesta técnica, o coração permanece batendo, e o cirurgião utiliza estabilizadores miocárdicos para imobilizar a área onde a anastomose será realizada. Essa abordagem pode ser vantajosa para pacientes com alto risco para as complicações da CEC, como idosos, pacientes com doença pulmonar crônica, insuficiência renal ou aterosclerose grave da aorta. Os enxertos mais comumente utilizados são a artéria mamária interna (AMI), especialmente para a artéria descendente anterior devido à sua excelente perviedade a longo prazo, e a veia safena. A endarterectomia coronariana é um procedimento adicional que pode ser realizado para remover placas ateroscleróticas em artérias difusamente doentes, mas não é uma prática padrão para todas as lesões. A disfunção ventricular grave, longe de ser uma contraindicação, pode ser uma indicação para CRM, pois a revascularização pode melhorar a função cardíaca em pacientes com miocárdio viável.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais vantagens da cirurgia de revascularização miocárdica sem circulação extracorpórea (off-pump)?

As vantagens incluem menor resposta inflamatória sistêmica, menor risco de disfunção renal e neurológica, menor necessidade de transfusões sanguíneas e recuperação pós-operatória potencialmente mais rápida em pacientes selecionados, especialmente aqueles com comorbidades.

Qual a diferença de perviedade entre os enxertos de artéria mamária interna e veia safena?

Os enxertos de artéria mamária interna (AMI) apresentam perviedade superior a longo prazo (90-95% em 10 anos) em comparação com os enxertos de veia safena (50-60% em 10 anos), sendo a AMI o enxerto de escolha para a artéria descendente anterior devido à sua durabilidade.

A disfunção ventricular grave é uma contraindicação para a cirurgia de revascularização miocárdica?

Não, a disfunção ventricular grave não é uma contraindicação absoluta. Em muitos casos, a CRM pode melhorar a função ventricular em pacientes com miocárdio hibernante ou atordoado, e pode ser indicada para melhorar a sobrevida e a qualidade de vida, desde que haja viabilidade miocárdica.

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