DAC Multiarterial: Quando Indicar Cirurgia de Revascularização?

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 66 anos de idade, hipertensa e diabética é admitida no pronto socorro por quadro de angina instável há 3 meses. Encontra-se clínica e hemodinamicamente estável. Ecocardiograma com fração de ejeção de ventrículo esquerdo estimada em 40%. Coronariografia evidenciou lesão proximal focal de 80% em artéria interventricular anterior e lesão focal de 70% em 1/3 médio de artéria circunflexa. Qual é a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Angioplastia coronariana com stent farmacológico
  2. B) Tratamento clínico para insuficiência coronariana
  3. C) Realização de cintilografia miocárdica
  4. D) Administração de trombolítico IV
  5. E) Cirurgia de revascularização miocárdica

Pérola Clínica

DAC multiarterial + FEVE < 50% + DM → Cirurgia de Revascularização Miocárdica (CABG) é a melhor conduta.

Resumo-Chave

Em pacientes com doença arterial coronariana multiarterial (lesões em LAD e circunflexa), disfunção ventricular esquerda (FEVE 40%) e comorbidades como diabetes e hipertensão, a cirurgia de revascularização miocárdica (CABG) é superior à angioplastia com stent farmacológico em termos de sobrevida e redução de eventos cardiovasculares maiores.

Contexto Educacional

A doença arterial coronariana (DAC) é uma das principais causas de morbimortalidade global, e a angina instável representa uma forma grave de apresentação. A escolha da estratégia de revascularização é um pilar fundamental no manejo desses pacientes, com impacto direto no prognóstico. A epidemiologia da DAC é fortemente influenciada por fatores de risco como hipertensão, diabetes, dislipidemia e tabagismo. A fisiopatologia envolve a aterosclerose das artérias coronárias, levando à estenose e isquemia miocárdica. O diagnóstico é feito com base na clínica, eletrocardiograma, biomarcadores cardíacos e confirmado por métodos de imagem como a coronariografia. A avaliação da fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) é crucial para estratificação de risco e decisão terapêutica. O tratamento pode ser clínico, percutâneo (angioplastia com stent) ou cirúrgico (CABG). Em pacientes com DAC multiarterial, diabetes mellitus e disfunção ventricular (FEVE < 50%), a CABG é geralmente a opção preferencial devido aos melhores resultados a longo prazo em termos de sobrevida e redução de eventos. Residentes devem dominar os critérios para cada modalidade de tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações para a cirurgia de revascularização miocárdica (CABG)?

A CABG é indicada para pacientes com doença arterial coronariana multiarterial, doença do tronco da coronária esquerda, doença coronariana difusa não passível de angioplastia, ou em casos de disfunção ventricular esquerda significativa, especialmente em diabéticos, onde oferece melhores resultados a longo prazo.

Por que a CABG é preferível à angioplastia em alguns casos de doença multiarterial?

Estudos como o SYNTAX trial demonstraram que a CABG é superior à angioplastia com stent farmacológico em pacientes com doença multiarterial complexa, especialmente aqueles com diabetes mellitus e disfunção ventricular, devido a menores taxas de eventos cardiovasculares adversos maiores e melhor sobrevida a longo prazo.

Qual o papel da fração de ejeção do ventrículo esquerdo na decisão terapêutica?

Uma fração de ejeção reduzida (abaixo de 50%) em pacientes com doença arterial coronariana multiarterial é um fator que favorece a indicação de CABG, pois a revascularização completa pode levar a uma melhora da função ventricular e do prognóstico, especialmente em miocárdio viável.

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