Contraindicações ao PRK: Herpes Simples e Riscos Cirúrgicos

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021

Enunciado

Qual dos pacientes abaixo é o pior candidato para realizar uma cirurgia de PRK miópico?

Alternativas

  1. A) Paciente com história de ceratite epitelial por herpes simples há três anos.
  2. B) Paciente com leito residual estromal de 300 micra.
  3. C) Paciente de 21 anos com história de artrite idiopática juvenil.
  4. D) Paciente com mudança refracional de 0,50 D nos últimos 2 anos.

Pérola Clínica

Herpes ocular prévio = Contraindicação relativa/importante para PRK devido ao risco de reativação viral.

Resumo-Chave

A cirurgia de superfície (PRK) ou LASIK pode desencadear a reativação do vírus herpes simples (HSV) latente no gânglio trigêmeo, levando a complicações corneanas graves.

Contexto Educacional

A seleção criteriosa de pacientes é o fator mais determinante para o sucesso da cirurgia refrativa. Além dos exames de imagem (topografia e tomografia corneana), a anamnese detalhada deve buscar antecedentes de infecções oculares e doenças sistêmicas. O Herpes Simples Ocular é particularmente perigoso porque o laser excimer pode induzir a replicação viral. Embora existam protocolos de profilaxia com antivirais orais (como Aciclovir) para casos selecionados, a maioria dos consensos recomenda evitar a cirurgia eletiva nesses pacientes. Já a estabilidade refracional (variação < 0,50D em 1-2 anos) e a idade mínima (geralmente 21 anos) são critérios básicos que o paciente da questão preenchia, reforçando o herpes como a principal bandeira vermelha.

Perguntas Frequentes

Por que a ceratite por herpes simples contraindica a cirurgia refrativa?

A história de ceratite epitelial ou estromal por Herpes Simples (HSV) é considerada uma contraindicação importante (muitas vezes absoluta para alguns cirurgiões) para procedimentos como PRK e LASIK. O trauma cirúrgico, o uso de laser excimer e, principalmente, o uso prolongado de corticosteroides tópicos no pós-operatório são gatilhos conhecidos para a reativação do vírus latente. Uma reativação herpética em uma córnea recém-operada pode resultar em defeitos epiteliais persistentes, neovascularização, cicatrizes estromais (leucomas) e derretimento corneano, comprometendo severamente o resultado visual e a integridade do globo ocular.

Qual a importância do leito estromal residual no PRK?

O leito estromal residual (RSB) é a espessura de tecido corneano que permanece intacta após a ablação pelo laser. No PRK, como não há criação de flap (diferente do LASIK), o RSB costuma ser maior e mais seguro. O limite clássico de segurança é manter pelo menos 250 a 300 micra de leito residual para evitar a ectasia corneana iatrogênica. No enunciado, um leito de 300 micra é considerado seguro e adequado, não sendo o fator que torna o paciente um 'pior candidato' em comparação com o risco de reativação herpética.

Pacientes com Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) podem operar?

Pacientes com doenças autoimunes sistêmicas, como a Artrite Idiopática Juvenil, exigem cautela extrema. Se a doença estiver ativa ou se houver história de uveíte crônica associada, a cirurgia é contraindicada devido ao risco de inflamação pós-operatória incontrolável e má cicatrização. No entanto, se o paciente estiver com a doença sistêmica e ocular controlada há anos, ele pode ser considerado, embora ainda apresente maior risco que um paciente hígido. No contexto da questão, a história de herpes simples é um fator de risco mais direto e específico para complicações corneanas graves pós-laser.

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