Esquistossomose Hepatoesplênica: Manejo de Varizes Gástricas

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 46 anos de idade, morador de região rural, é portador de Esquistossomose Mansônica na sua forma hepatoesplênica. Apresentou um sangramento intenso das varizes gástricas, com choque hipovolêmico tratado com balão de Sengstaken Blakemore, transfusão sanguínea e encaminhamento a um centro hospitalar de cuidados médicos avançados. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa que apresenta a conduta CORRETA no hospital de cuidados médicos avançados.

Alternativas

  1. A) Incluir o paciente no programa de transplante hepático e manter controle clínico.
  2. B) Realizar acompanhamento com esclerose endoscópica das varizes sucessivas.
  3. C) Submeter o paciente a esplenectomia total associada com ressecção das varizes.
  4. D) Operação esplênica com desconexão portavarizes perigástricas e intragástricas.

Pérola Clínica

Esquistossomose hepatoesplênica + sangramento varizes gástricas → Operação esplênica com desconexão portavarizes.

Resumo-Chave

Em pacientes com hipertensão portal esquistossomótica e sangramento de varizes gástricas, a cirurgia de desconexão ázigo-portal (como a de Maciel ou Warren-Zeppa modificada) é a conduta de escolha. Ela visa reduzir a pressão nas varizes gástricas e esofágicas, preservando o fluxo portal para o fígado, o que é crucial para evitar encefalopatia.

Contexto Educacional

A esquistossomose mansônica na forma hepatoesplênica é uma causa importante de hipertensão portal em regiões endêmicas, levando a complicações graves como o sangramento de varizes esofágicas e gástricas. O manejo desses pacientes é um desafio clínico e cirúrgico, exigindo conhecimento específico sobre a fisiopatologia e as opções terapêuticas. A compreensão da doença é crucial para residentes que atuarão em áreas com alta prevalência. A hipertensão portal esquistossomótica é caracterizada por fibrose periportal (fibrose de Symmers) que obstrui o fluxo sanguíneo, mas com função hepatocelular geralmente preservada. O diagnóstico é feito pela história epidemiológica, exames de imagem (ultrassonografia abdominal com sinais de hipertensão portal e esplenomegalia) e sorologia ou parasitológico de fezes. O sangramento de varizes é a complicação mais temida, podendo ser fatal. O tratamento do sangramento agudo envolve estabilização hemodinâmica, balão de Sengstaken-Blakemore (medida temporária), drogas vasoativas e transfusão. Para o controle definitivo, em pacientes com boa função hepática, a cirurgia de desconexão ázigo-portal (como a esplenectomia com desconexão portavarizes perigástricas e intragástricas) é a conduta de escolha, pois reduz a pressão nas varizes sem comprometer o fluxo portal hepático, minimizando o risco de encefalopatia.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença no manejo da hipertensão portal entre esquistossomose e cirrose?

Na esquistossomose, a função hepática é geralmente preservada, permitindo cirurgias de desconexão ázigo-portal. Na cirrose avançada, a disfunção hepática grave torna o transplante hepático a opção principal.

Por que a esclerose endoscópica não é a melhor opção para varizes gástricas na esquistossomose?

A esclerose endoscópica tem menor eficácia e maior risco de complicações para varizes gástricas em comparação com as esofágicas, especialmente em sangramentos intensos. A ligadura elástica ou cianoacrilato são mais indicados endoscopicamente, mas a cirurgia é preferível para controle definitivo.

Quais são os princípios da operação esplênica com desconexão portavarizes?

O objetivo é desviar o fluxo sanguíneo do sistema ázigo-portal, reduzindo a pressão nas varizes esofágicas e gástricas, enquanto se mantém o fluxo portal para o fígado, prevenindo a encefalopatia e controlando o sangramento.

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