Cirurgia Oncológica: Princípios, Linfonodo Sentinela e Ooforectomia

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2020

Enunciado

A dissecção linfonodal seletiva baseada na retirada de linfonodo sentinela, para doentes clinicamente sem envolvimento nodal, confere informação prognóstica adicional, mas a ausência de protocolos validados externamente e o curto tempo de seguimento de doentes cujo tratamento cirúrgico foi individualizado pelos achados do método.Não podemos aceitar como correto e fora de contexto o item:

Alternativas

  1. A) A ressecção cirúrgica padrão deve visar margem distal livre de infiltração neoplásica, quando houver na peça operatória um limite de ressecção superior a 1,5 a 2,0 cm, com ressecção de no mínimo 15 linfonodos.
  2. B) A realização concomitante da ooforectomia pode ser reservada apenas para doentes não menopausadas.
  3. C) Havendo suspeita de comprometimento de órgãos ou estruturas vizinhas à lesão, deve-se visar à ressecção completa em monobloco.
  4. D) O tratamento cirúrgico pode ainda ser indicado com intenção curativa para casos selecionados de doentes com metástase hepática ou pulmonar ressecável, ou com finalidade paliativa, sempre na dependência das condições do doente e da reserva funcional do órgão acometido.

Pérola Clínica

Ooforectomia profilática não é regra em cirurgia oncológica, exceto em casos específicos (ex: risco genético).

Resumo-Chave

A ooforectomia profilática ou concomitante em cirurgias oncológicas não é uma prática universal e não se restringe apenas a pacientes não menopausadas. Sua indicação depende do tipo de câncer, risco genético (ex: mutações BRCA), extensão da doença ou necessidade de ablação hormonal, não sendo uma regra geral para todas as pacientes.

Contexto Educacional

A cirurgia oncológica moderna busca a máxima eficácia com a menor morbidade. A dissecção linfonodal seletiva, guiada pelo linfonodo sentinela, revolucionou o estadiamento de diversos cânceres, oferecendo informações prognósticas cruciais e evitando dissecções desnecessárias em pacientes sem envolvimento nodal, reduzindo complicações. Princípios como margens cirúrgicas livres, ressecção de um número mínimo de linfonodos para estadiamento adequado e a ressecção em monobloco para tumores com suspeita de invasão de órgãos adjacentes são fundamentais. A decisão de realizar procedimentos adicionais, como ooforectomia, deve ser individualizada e baseada em evidências, considerando o tipo de câncer, risco genético e status menopausal da paciente. O tratamento cirúrgico pode ter intenção curativa mesmo em casos selecionados de metástases ressecáveis (hepáticas, pulmonares) ou paliativa, visando melhorar a qualidade de vida e aliviar sintomas. Residentes devem compreender que a ooforectomia não é uma prática padrão em todas as cirurgias oncológicas, sendo reservada para indicações específicas, como risco genético elevado ou doença ovariana confirmada.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do linfonodo sentinela na cirurgia oncológica?

O linfonodo sentinela é o primeiro linfonodo a receber drenagem linfática do tumor primário. Sua biópsia permite avaliar o status nodal com menor morbidade do que a dissecção linfonodal completa, guiando o estadiamento e o tratamento adjuvante em cânceres como mama e melanoma.

Quando a ressecção de metástases hepáticas ou pulmonares pode ser curativa?

Em casos selecionados de metástases hepáticas ou pulmonares, especialmente de câncer colorretal, a ressecção cirúrgica completa pode oferecer intenção curativa, desde que as condições do paciente e a reserva funcional do órgão permitam e a doença seja oligometastática.

Quais são as indicações para a realização de ooforectomia em cirurgias oncológicas?

A ooforectomia pode ser indicada em casos de câncer ginecológico (ovário, endométrio), como parte da cirurgia de estadiamento ou tratamento, ou profilaticamente em pacientes com alto risco genético (ex: mutações BRCA1/2) para câncer de ovário, independentemente do status menopausal.

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