MedEvo Simulado — Prova 2026
Gustavo, um homem de 45 anos, comparece ao ambulatório de cirurgia com diagnóstico de Diabetes Mellitus tipo 2 há 6 anos. O paciente relata que, apesar do acompanhamento regular com endocrinologista e do uso otimizado de Metformina 2g/dia, Gliclazide 60mg/dia e Liraglutida 1,8mg/dia, não consegue atingir as metas glicêmicas. Seus exames recentes mostram Hemoglobina Glicada (HbA1c) de 8,6% e Peptídeo C em níveis normais. Ao exame físico, apresenta peso de 98 kg e altura de 1,70 m (IMC de 33,9 kg/m²), sem outras comorbidades graves além de hipertensão arterial controlada. O paciente questiona sobre a possibilidade de tratamento cirúrgico. Com base nas diretrizes atuais de cirurgia bariátrica e metabólica, a conduta mais adequada é:
DM2 + IMC 30-34,9 + Refratariedade clínica + < 70 anos + < 10 anos doença → Cirurgia Metabólica.
A cirurgia metabólica é indicada para pacientes com DM2 mal controlado (HbA1c > 7%) apesar de terapia otimizada, com IMC entre 30 e 34,9 kg/m², desde que apresentem reserva pancreática (Peptídeo C normal).
A cirurgia metabólica atua através de mecanismos hormonais (efeito incretínico) que melhoram a sensibilidade à insulina e a secreção de insulina de forma independente da perda de peso inicial. O desvio intestinal altera a sinalização de hormônios como GLP-1 e PYY, promovendo a homeostase glicêmica. Estudos como o STAMPEDE demonstram a superioridade da cirurgia sobre o tratamento clínico intensivo no controle do DM2 a longo prazo, com taxas significativas de remissão da doença.
Os critérios incluem idade entre 30 e 70 anos, diagnóstico de DM2 há menos de 10 anos, refratariedade ao tratamento clínico convencional (HbA1c > 7% com otimização medicamentosa), presença de reserva pancreática (avaliada pelo Peptídeo C) e ausência de contraindicações cirúrgicas. É fundamental que o paciente tenha sido acompanhado por endocrinologista por pelo menos dois anos antes da indicação, comprovando a falha do tratamento clínico intensivo.
A reserva pancreática é avaliada principalmente através da dosagem do Peptídeo C em níveis normais ou elevados. Níveis muito baixos ou indetectáveis sugerem falência das células beta (comum no DM1 ou DM2 de longa data), o que reduz drasticamente as chances de remissão do diabetes após o procedimento cirúrgico, contraindicando a cirurgia metabólica com finalidade puramente glicêmica.
Embora os procedimentos técnicos (como o Bypass Gástrico em Y de Roux) sejam frequentemente os mesmos, o termo 'cirurgia bariátrica' foca na perda de peso em pacientes com obesidade severa (IMC > 35 ou 40). A 'cirurgia metabólica' foca no controle de doenças metabólicas, especialmente o DM2, podendo ser realizada em pacientes com obesidade leve (IMC 30-34,9) que não atingem metas glicêmicas.
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