Cirurgia no Idoso: Fisiologia e Cuidados Perioperatórios

HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2015

Enunciado

Em relação à cirurgia do paciente idoso e às alterações fisiológicas de envelhecimento, é INCORRETO afirmar que:

Alternativas

  1. A) No idoso, ocorre aumento da rigidez torácica e diminuição da função ciliar, predispondo ao aumento de infecção respiratória pós-operatória.
  2. B) O figado sofre inúmeras alterações com o envelhecimento, acarretando perda importante da reserva e função hepática.
  3. C) No idoso, o intestino delgado apresenta progressiva redução na altura das vilosidades, prejudicando a absorção de gorduras e carboidratos.
  4. D) Os idosos são dependentes da pré-carga, por isso a hipovolemia e estados hipermetabólicos, comuns no perioperatório, podem ser mal tolerados por esses pacientes. 

Pérola Clínica

Idoso: ↓ Reserva funcional, ↑ rigidez torácica, ↓ função hepática/intestinal. São dependentes da PÓS-carga, não pré-carga.

Resumo-Chave

Pacientes idosos são mais dependentes da PÓS-carga para manter o débito cardíaco devido à rigidez ventricular e menor complacência. A afirmação de que são dependentes da PRÉ-carga está incorreta, pois a hipovolemia é mal tolerada em qualquer idade, mas a dependência da pós-carga é uma característica cardiovascular específica do envelhecimento.

Contexto Educacional

A cirurgia em pacientes idosos representa um desafio significativo devido às múltiplas alterações fisiológicas associadas ao envelhecimento, que diminuem a reserva funcional de diversos sistemas orgânicos. Essas alterações aumentam o risco de complicações perioperatórias e prolongam a recuperação. No sistema respiratório, há aumento da rigidez da caixa torácica e diminuição da complacência pulmonar, além de redução da função ciliar, predispondo a infecções. O sistema cardiovascular apresenta menor complacência ventricular e arterial, tornando o coração mais dependente da pós-carga e menos capaz de se adaptar a variações de volume e pressão. A função hepática e renal também declina, afetando o metabolismo e a excreção de fármacos. O manejo perioperatório do idoso exige uma avaliação pré-operatória abrangente, otimização das condições clínicas, monitorização rigorosa e ajuste de doses de medicamentos. A prevenção de hipovolemia, hipotermia, delírio e infecções é fundamental para um desfecho favorável, considerando a fragilidade e a menor capacidade de resposta ao estresse cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais alterações respiratórias no idoso que afetam o perioperatório?

No idoso, ocorre aumento da rigidez torácica, diminuição da complacência pulmonar, redução da função ciliar e do reflexo da tosse, o que predispõe a atelectasias, pneumonias e outras infecções respiratórias pós-operatórias.

Como o envelhecimento afeta a função hepática e a absorção intestinal?

O fígado do idoso apresenta redução do fluxo sanguíneo hepático e da capacidade de metabolização de fármacos. O intestino delgado pode ter redução na altura das vilosidades, prejudicando a absorção de nutrientes como gorduras e carboidratos.

Por que a afirmação sobre a dependência da pré-carga no idoso está incorreta?

A afirmação está incorreta porque, embora a hipovolemia seja prejudicial, o coração do idoso, devido à rigidez ventricular e arterial, torna-se mais dependente da PÓS-carga para manter o débito cardíaco. Eles têm menor capacidade de aumentar o volume sistólico em resposta à pré-carga e são mais sensíveis a aumentos da pós-carga.

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