CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2021
Paciente de 78 anos é admitido em pronto-socorro com queixa de dor abdominal há 5 dias, progressiva, com piora importante no dia de hoje. Relata hiporexia, vômitos e febre como sintomas associados. Ao exame físico: mal estado geral, hipotenso, descorado, sudoreico, taquicárdico, desidratado. Após constatado sinais de peritonite, foi submetido à laparotomia exploradora que evidenciou grande quantidade de líquido de aspecto fecalóide em cavidade, processo inflamatório importante em divertículos no cólon sigmoide associado a grande perfuração bloqueada por epiplon. Durante a manipulação destas alças, o paciente apresentou hipotensão refratária a expansão volêmica e necessitou de uso de drogas vasopressoras. A melhor conduta neste caso é:
Diverticulite perfurada com peritonite fecalóide e instabilidade hemodinâmica → Cirurgia de Hartmann.
A cirurgia de Hartmann (sigmoidectomia com colostomia terminal e fechamento do coto retal) é a conduta de escolha para diverticulite perfurada com peritonite fecalóide em pacientes instáveis, pois minimiza o risco de deiscência de anastomose em um ambiente séptico e de alto risco.
A diverticulite aguda é uma condição comum, e suas complicações, como a perfuração com peritonite, representam emergências cirúrgicas graves. A classificação de Hinchey auxilia na estratificação da gravidade, sendo os estágios III (peritonite purulenta) e IV (peritonite fecalóide) os mais sérios. Em pacientes com peritonite fecalóide e instabilidade hemodinâmica, a prioridade é o controle da fonte de infecção e a estabilização do paciente. A sigmoidectomia com anastomose primária é contraindicada devido ao alto risco de deiscência em um ambiente séptico e com tecidos inflamados. A Cirurgia de Hartmann é a técnica de escolha nesses casos, pois permite a ressecção do segmento doente e a derivação fecal através de uma colostomia, protegendo o coto retal fechado e minimizando riscos. Embora envolva uma segunda cirurgia para reversão da colostomia, ela oferece a melhor chance de sobrevida em um cenário de alta complexidade e risco.
A Cirurgia de Hartmann é indicada em diverticulite aguda complicada com perfuração e peritonite fecalóide ou purulenta generalizada, especialmente em pacientes instáveis, imunocomprometidos ou com alto risco de deiscência anastomótica.
Em peritonite fecalóide, o risco de deiscência da anastomose primária é muito elevado devido à contaminação bacteriana, inflamação tecidual e instabilidade hemodinâmica do paciente, podendo levar a sepse grave e morte.
A cirurgia de Hartmann envolve a ressecção do segmento colônico afetado (geralmente sigmoide), o fechamento do coto retal distal e a confecção de uma colostomia terminal proximal, que pode ser revertida em um segundo tempo cirúrgico.
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