Cirurgia de Hartmann: Indicações na Obstrução Intestinal

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 64 anos de idade, foi admitido no serviço de emergência devido a obstrução intestinal. Foi realizada radiografia digital que evidenciou ponto de obstrução na transição retossigmoideana. Trata-se de paciente obeso (IMC 31kg/m²) com diabete melito, dislipidemia e hipertensão arterial controlada, sem disfunções orgânicas na admissão no serviço de emergência. Foram realizados os seguintes exames pré- operatórios, demonstrados na tabela a seguir. O achado intraoperatório foi de neoplasia de reto alto, sem outras lesões na cavidade abdominal. Foi realizada retossigmoidectomia à Hartmann (colostomia terminal e sepultamento do reto) com linfadenectomia e o ato operatório transcorreu sem intercorrências técnicas, porém durante a operação foi iniciado noradrenalina devido a hipotensão arterial. Paciente evoluiu sem intercorrências e recebeu alta no oitavo dia de pós-operatório. O exame anatomopatológico revelou adenocarcinoma moderadamente diferenciado com estadiamento TNM: pT3N1M0 (1 linfonodo comprometido de 21) Cite duas justificativas para realização de colostomia na operação realizada neste paciente.

Alternativas

Pérola Clínica

Obstrução + Instabilidade Hemodinâmica → Hartmann (evitar deiscência de anastomose).

Resumo-Chave

A cirurgia de Hartmann é preferida em situações de emergência (obstrução) ou instabilidade hemodinâmica para evitar o alto risco de deiscência de anastomose.

Contexto Educacional

A escolha da técnica cirúrgica em neoplasias colorretais obstrutivas depende das condições clínicas do paciente e do status local do cólon. A cirurgia de Hartmann é o padrão-ouro em situações de emergência onde a anastomose primária é considerada insegura. No caso apresentado, dois fatores principais justificam a colostomia: a obstrução intestinal aguda, que impede o preparo adequado do cólon e resulta em alças edemaciadas, e a instabilidade hemodinâmica transoperatória (necessidade de noradrenalina). A hipotensão e o uso de aminas vasoativas causam vasoconstrição esplâncnica, prejudicando a cicatrização de uma eventual anastomose. Além disso, as comorbidades do paciente (obesidade e diabetes) são fatores adicionais que prejudicam a síntese tecidual, reforçando a prudência da técnica de Hartmann para garantir a segurança do paciente no pós-operatório imediato.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a cirurgia de Hartmann?

Consiste na ressecção do segmento doente (geralmente sigmoide/reto), sepultamento do coto distal e confecção de uma colostomia terminal proximal.

Por que a hipotensão contraindica a anastomose?

O uso de vasopressores e a hipoperfusão tecidual comprometem a microcirculação da anastomose, elevando o risco de deiscência e sepse abdominal.

Quais as vantagens da Hartmann na urgência?

Reduz o tempo cirúrgico, evita o manuseio de alças distendidas/preparadas inadequadamente e elimina o risco de fístulas anastomóticas em pacientes críticos.

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