Manejo do Adenocarcinoma de Sigmoide Complicado

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 80 anos, identifica-se adenocarcinoma de sigmoide subestenosante. Tomografia completa do abdome mostra espessamento segmentar e abrupto de cólon sigmoide, com possível microperfuração, distensão gasosa do cólon e discreta coprostase; não há distensão de alças de delgado; não há invasão de órgãos adjacentes ou evidências de doença metastática. Exames laboratoriais: Hb: 11,0 g/dL. CEA: 10 mg/dL e restante sem alterações. Assinale a alternativa que expressa a atitude recomendada nesta situação.

Alternativas

  1. A) Inicia-se o preparo de cólon lento com 500 mL de manitol a 10% para a ressecção e anastomose primária.
  2. B) Realiza-se a passagem de prótese endoscópica recoberta através de radioscopia + colonoscopia após limpeza mecânica do cólon.
  3. C) A cirurgia de Hartmann constitui adequada conduta cirúrgica.
  4. D) Está indicado o tratamento neoadjuvante para reduzir a recidiva local.

Pérola Clínica

Obstrução/Perfuração em cólon esquerdo → Cirurgia de Hartmann (ressecção + colostomia terminal).

Resumo-Chave

Em casos de neoplasia de cólon esquerdo com sinais de complicação (obstrução/perfuração) em pacientes idosos, a ressecção com estomia terminal (Hartmann) é a conduta mais segura.

Contexto Educacional

O adenocarcinoma de cólon é uma das neoplasias mais comuns, e a apresentação como abdome agudo obstrutivo ou perfurativo requer decisão rápida. No cólon direito, a colectomia com anastomose primária é mais tolerada. No cólon esquerdo, a presença de fezes sólidas e a vascularização mais precária tornam a anastomose de urgência perigosa. A cirurgia de Hartmann prioriza a sobrevivência do paciente ao eliminar o foco de sepse e a obstrução sem o risco de uma fístula anastomótica precoce.

Perguntas Frequentes

O que é a Cirurgia de Hartmann e quando é indicada?

A cirurgia de Hartmann consiste na ressecção do cólon sigmoide (proctosigmoidectomia), fechamento do coto retal e confecção de uma colostomia terminal no cólon descendente. É a técnica de escolha em situações de emergência, como perfuração diverticular (Hinchey III ou IV) ou obstrução/perfuração por câncer de cólon esquerdo, especialmente em pacientes instáveis, idosos ou com alto risco de deiscência de anastomose.

Por que não realizar anastomose primária neste caso?

O paciente apresenta um quadro subestenosante com microperfuração e coprostase. Realizar uma anastomose primária em um cólon não preparado, edemaciado e potencialmente contaminado em um paciente de 80 anos é extremamente arriscado. A deiscência de anastomose nessas condições tem altíssima mortalidade, tornando a conduta em dois tempos (Hartmann) a opção mais prudente e segura.

Qual o papel do CEA no adenocarcinoma colorretal?

O Antígeno Carcinoembrionário (CEA) é um marcador tumoral utilizado principalmente para o acompanhamento pós-operatório e monitorização de recidiva ou resposta ao tratamento. Ele não é utilizado para diagnóstico inicial devido à sua baixa especificidade, mas níveis pré-operatórios muito elevados podem sugerir doença avançada ou pior prognóstico, servindo como base comparativa para o seguimento.

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