Verde de Indocianina na Cirurgia Robótica e Laparoscópica

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Em sistemas de cirurgia robótica ou laparoscópica que possuem processadores capazes de identificar imagens fluorescentes quase infravermelhas, o verde de indocianina é aplicável ao procedimento de:

Alternativas

  1. A) Wirsungrafia intraoperatória.
  2. B) Colangiografia intraoperatória.
  3. C) Herniorrafia incisional transretal.
  4. D) Herniorrafia inguinal transabdominal.

Pérola Clínica

Verde de indocianina (ICG) → Avaliação de perfusão e anatomia biliar por fluorescência infravermelha.

Resumo-Chave

O uso do verde de indocianina (ICG) com luz infravermelha permite avaliar a perfusão de retalhos e anastomoses, sendo uma ferramenta valiosa na prevenção de isquemia em herniorrafias complexas.

Contexto Educacional

A integração da tecnologia de fluorescência infravermelha nos sistemas robóticos (como o sistema Firefly do Da Vinci) transformou a percepção intraoperatória. O verde de indocianina (ICG) atua como um contraste dinâmico que fornece informações fisiológicas além da anatomia visível a olho nu. Na herniorrafia incisional, especialmente nas técnicas transretais ou de separação de componentes, a preservação dos vasos perfurantes epigástricos é um desafio; o ICG permite visualizar se a dissecção preservou a microcirculação necessária para a cicatrização. Estudos mostram que a avaliação subjetiva do cirurgião sobre a viabilidade tecidual pode falhar em até 30% dos casos. O uso do ICG traz objetividade, permitindo intervenções imediatas. Além da segurança vascular, a técnica é minimamente invasiva, não utiliza radiação ionizante e possui um perfil de efeitos colaterais extremamente baixo, sendo contraindicada apenas em pacientes com alergia grave ao iodo (devido à presença de iodeto de sódio na formulação do corante).

Perguntas Frequentes

O que é o verde de indocianina (ICG) e como funciona?

O verde de indocianina (ICG) é um corante tricarbocianínico que, quando injetado por via intravenosa, liga-se quase totalmente às proteínas plasmáticas. Quando excitado por uma luz próxima ao infravermelho (NIR), ele emite fluorescência. Em sistemas de cirurgia robótica ou laparoscópica modernos, processadores de imagem específicos captam essa fluorescência, permitindo ao cirurgião visualizar em tempo real a perfusão sanguínea de tecidos, identificar linfonodos sentinela ou mapear a anatomia biliar (quando excretado pelo fígado). É uma substância segura, com meia-vida curta e excreção exclusivamente biliar.

Qual a utilidade do ICG em herniorrafias incisionais?

Em herniorrafias incisionais complexas, especialmente naquelas que envolvem grandes descolamentos de retalhos ou técnicas de separação de componentes (como a TAR - transversus abdominis release), a vascularização da parede abdominal pode ser comprometida. O uso do ICG permite ao cirurgião avaliar a perfusão dos retalhos cutâneos e da musculatura antes e depois da reconstrução. Isso auxilia na decisão de desbridar áreas hipoperfundidas, reduzindo drasticamente as taxas de necrose de pele, infecção de sítio cirúrgico e deiscências, que são complicações frequentes nessas cirurgias de grande porte.

Quais outras aplicações do ICG na cirurgia abdominal?

Além da avaliação de parede abdominal, o ICG é amplamente utilizado na 'Colangiografia por Fluorescência' durante colecistectomias, facilitando a identificação do ducto cístico e colédoco. Na cirurgia colorretal, é fundamental para garantir que a anastomose intestinal tenha suprimento sanguíneo adequado, reduzindo o risco de fístulas. Na oncologia, auxilia na identificação do linfonodo sentinela em cânceres ginecológicos e urológicos. Sua versatilidade o torna uma ferramenta indispensável para a 'cirurgia guiada por imagem', aumentando a precisão e a segurança do procedimento.

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