CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008
Paciente adulto com esotropia básica de 40Δ, apresentando ambliopia no olho direito, sem posição viciosa de cabeça. Levando-se em conta os riscos para realização de cirurgia, a melhor opção para correção geralmente é:
Esotropia + Ambliopia densa → Cirurgia de retrocesso e ressecção (R&R) no olho amblíope.
Em desvios horizontais com ambliopia significativa, a conduta padrão é operar o olho com pior visão (procedimento monocular) para evitar riscos ao olho fixador.
O tratamento cirúrgico da esotropia em adultos visa principalmente a melhora estética e do campo visual periférico, uma vez que o potencial de visão binocular (estereopsia) é frequentemente limitado, especialmente na presença de ambliopia. Para desvios de 40 dioptrias prismáticas (Δ), um procedimento monocular de retrocesso do reto medial associado à ressecção do reto lateral no olho amblíope é altamente eficaz. Esta abordagem 'fortalece' o efeito cirúrgico em um único globo ocular, permitindo correções significativas sem a necessidade de intervir no olho contralateral saudável.
Em pacientes com ambliopia densa (baixa visão profunda em um olho), a cirurgia monocular (retrocesso e ressecção no olho amblíope) é preferida por dois motivos principais: segurança e previsibilidade. Ao operar apenas o olho amblíope, preservamos o olho fixador (de melhor visão) de qualquer risco cirúrgico potencial, como infecção ou descolamento de retina. Além disso, em adultos sem potencial de fusão, o resultado estético é o objetivo primário.
A técnica de R&R combina o enfraquecimento de um músculo (retrocesso) com o fortalecimento de seu antagonista (ressecção) no mesmo olho. Na esotropia, realiza-se o retrocesso do reto medial (para reduzir a força de adução) e a ressecção do reto lateral (para aumentar a força de abdução). Essa combinação permite corrigir desvios de maior magnitude (como 40 dioptrias prismáticas) atuando em apenas um olho.
Embora raros, os riscos incluem endoftalmite, hemorragia expulsiva ou perda visual por complicações técnicas. Em um paciente que já possui um olho amblíope, o olho fixador é sua única fonte de visão funcional de alta qualidade. Portanto, a ética e a prudência cirúrgica ditam que intervenções devem ser concentradas no olho com menor potencial visual sempre que possível.
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