CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
A transposição medial do músculo reto superior, desde que liberadas as fáscias intermusculares:
Transposição medial do reto superior → ↑ braço de alavanca para adução.
Ao deslocar a inserção de um músculo cicloverical em direção ao nariz, potencializa-se sua força vetorial no eixo vertical de rotação, favorecendo a adução.
A cirurgia de estrabismo baseia-se na alteração da força ou da direção de tração dos músculos extraoculares. A transposição muscular é uma técnica avançada que permite 'recrutar' a força de um músculo funcionante para suprir a deficiência de outro. A liberação das fáscias intermusculares é um passo cirúrgico crítico para permitir que o músculo transposto alcance sua nova posição sem restrições excessivas. O conhecimento da anatomia e da fisiologia da motilidade ocular é essencial para o cirurgião oftalmologista. Entender como a mudança do ponto de inserção escleral altera os eixos de Fick permite prever os resultados rotacionais e torsionais, evitando desvios secundários indesejados no pós-operatório.
O músculo reto superior possui três ações principais dependendo da posição do olhar: sua ação primária é a elevação (máxima em abdução de 23°); suas ações secundárias são a inciclotorção e a adução (máximas quando o olho está em adução). Ao realizar uma transposição medial, alteramos a linha de tração do músculo em relação ao centro de rotação do globo ocular, o que modifica a magnitude dessas forças.
A capacidade de um músculo realizar adução depende de quão medialmente sua inserção está localizada em relação ao eixo vertical de rotação do olho. Ao transpor o reto superior para uma posição mais medial, aumentamos o componente de força que puxa o olho em direção ao nariz (vetor de adução), transformando uma ação que era secundária em uma função mais proeminente.
Transposições de músculos retos verticais são frequentemente utilizadas em paralisias de músculos retos horizontais. Por exemplo, na paralisia do VI par (reto lateral), pode-se realizar a transposição dos retos verticais para o lado temporal para auxiliar na abdução. O inverso (transposição medial) pode ser aplicado em casos de deficiência grave de adução, embora seja menos comum que as transposições para abdução.
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