UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2020
Paciente de 57 anos, com história de constipação crônica refratária ao tratamento clínico, morador de área endêmica para doença de Chagas, é submetido à investigação diagnóstica, com evidência de tratar-se de quadro de megacólon chagásico, com importante distensão em cólon sigmoide ao clister opaco. Dentre as abaixo, qual a técnica cirúrgica mais adequada para esse paciente?
Megacólon chagásico grave → Cirurgia de Duhamel-Haddad é a técnica mais adequada.
A cirurgia de Duhamel-Haddad é uma retossigmoidectomia com abaixamento colorretal retro-retal, indicada para megacólon chagásico avançado, pois permite a ressecção do segmento dilatado e a criação de um novo trânsito intestinal com menor risco de recidiva e complicações.
O megacólon chagásico é uma das manifestações crônicas da doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi, e caracteriza-se pela dilatação e alongamento do cólon, principalmente o sigmoide, devido à destruição dos plexos mioentéricos. A constipação crônica refratária é o sintoma mais comum e incapacitante, impactando significativamente a qualidade de vida dos pacientes em áreas endêmicas. O diagnóstico é feito com base na história clínica, sorologia para Chagas e exames radiológicos como o clister opaco, que demonstra a dilatação e alongamento do cólon. A fisiopatologia envolve a denervação parassimpática do cólon, levando à perda do tônus muscular e da motilidade propulsiva, resultando em acúmulo de fezes e dilatação progressiva. Quando o tratamento clínico com laxantes e modificações dietéticas falha, a intervenção cirúrgica torna-se necessária. A escolha da técnica cirúrgica depende da extensão da doença e das condições do paciente. A cirurgia de Duhamel-Haddad é considerada uma das técnicas mais eficazes para o tratamento do megacólon chagásico avançado. Ela envolve a ressecção do segmento colônico dilatado e a criação de uma anastomose colorretal retro-retal, que permite um esvaziamento mais eficiente e reduz a chance de recidiva. Outras técnicas, como a retossigmoidectomia anterior, também podem ser utilizadas, mas a Duhamel-Haddad oferece vantagens em termos de preservação da inervação pélvica e menor risco de complicações pós-operatórias.
A cirurgia é indicada para pacientes com constipação crônica refratária ao tratamento clínico, distensão abdominal significativa, volvo de sigmoide recorrente ou complicações como fecaloma e obstrução.
Esta técnica consiste na ressecção do cólon sigmoide e parte do reto dilatado, com abaixamento do cólon proximal através do espaço retro-retal para anastomose com o reto distal, criando um novo reservatório e um trânsito mais funcional.
Outras técnicas incluem a retossigmoidectomia anterior (Miles-Bacon) ou a técnica de Habr-Gama. A Duhamel-Haddad é frequentemente preferida por preservar a inervação pélvica e ter menor taxa de complicações como fístulas e estenoses.
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