UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2025
Mulher, 47 anos, com doença de Crohn otimamente tradada, persiste com área de 15 cm de estenose em íleo distal. Indicado procedimento cirúrgico. Confirmou-se que havia apenas este segmento estenosado. A conduta mais adequada é:
Estenose longa (> 10 cm) em segmento único no Crohn → Ressecção com anastomose primária.
Em estenoses extensas da Doença de Crohn, a ressecção segmentar é preferível à estrituroplastia para garantir a resolução do quadro obstrutivo e evitar recidivas locais precoces.
A Doença de Crohn é uma condição inflamatória transmural que frequentemente evolui com fenótipo estenosante. O íleo distal é o local mais comum de acometimento. O tratamento cirúrgico não é curativo, mas visa tratar complicações e melhorar a qualidade de vida. A decisão entre ressecção e estrituroplastia depende da extensão da estenose, do estado nutricional do paciente e da presença de inflamação ativa ou fleimão. Estenoses curtas (Heineke-Mikulicz) ou médias (Finney) são poupadoras de parênquima, mas segmentos longos e fibróticos como o descrito (15 cm) têm na ressecção segmentar o seu padrão de tratamento.
A cirurgia é indicada em complicações como obstrução intestinal (estenoses), perfuração, abscessos não drenáveis percutaneamente, fístulas sintomáticas ou refratariedade ao tratamento clínico otimizado. O objetivo é sempre a preservação intestinal máxima.
A ressecção remove o segmento doente, enquanto a estrituroplastia (ou plastia de estenose) consiste em alargar o lúmen intestinal sem remover tecido, sendo ideal para múltiplas estenoses curtas em pacientes com risco de síndrome do intestino curto. Estenoses longas (> 10-15 cm) favorecem a ressecção.
Em uma paciente com doença otimamente tratada, sem sinais de sepse abdominal ou desnutrição grave, a ressecção do segmento estenosado seguida de anastomose primária é segura e resolve definitivamente o foco da obstrução, sem a necessidade de estomas temporários.
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