AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Paciente feminina procura atendimento com queixa de dor abdominal há 5 dias, com piora importante nas últimas 24 horas. Está em uso de antibioticoterapia para ITU. Apresenta-se taquicárdica, hipotensa, pele fria e pegajosa. Abdome pouco distendido, doloroso difusamente, com sinais de peritonite franca. Levada rapidamente ao centro cirúrgico, o inventário da cavidade demonstrou apêndice cecal perfurado, aderido ao ceco, grande quantidade de pus em todos quadrantes e alças intestinais isquêmicas. O cirurgião realizou colectomia direita e, devido à instabilidade hemodinâmica intraoperatória, decidiu pela tática de controle de danos. Sobre o fechamento temporário da parede abdominal, assinale a assertiva correta:
Abdome aberto → Objetivo: Fechamento da aponeurose nos primeiros 8 dias.
O fechamento temporário no abdome aberto visa mitigar a hipertensão intra-abdominal e facilitar o re-entry, devendo-se buscar o fechamento definitivo precoce.
O manejo do abdome aberto evoluiu significativamente com o uso de sistemas de fechamento assistido a vácuo (VAC), que ajudam a controlar o efluente peritoneal, reduzem o edema de alças e aplicam uma tração medial contínua na aponeurose. O objetivo primordial é o fechamento fascial precoce para evitar complicações como fístulas enteroatmosféricas e a perda de domicílio abdominal. Em casos de peritonite grave com instabilidade, como o descrito na questão, a colectomia sem anastomose primária e o abdome aberto permitem que o paciente seja estabilizado hemodinamicamente antes de uma reconstrução definitiva. A vigilância da pressão intra-abdominal é mandatória no pós-operatório imediato desses pacientes.
É uma abordagem cirúrgica em três etapas para pacientes fisiologicamente exaustos (tríade letal: acidose, hipotermia e coagulopatia). A etapa 1 é a cirurgia inicial abreviada para controle de hemorragia e contaminação. A etapa 2 é a reanimação em UTI. A etapa 3 é a reoperação para reparo definitivo. O abdome aberto é uma consequência frequente da etapa 1 para evitar a síndrome compartimental.
Após esse período, ocorre a retração lateral da aponeurose e a formação de aderências firmes entre as alças intestinais e a parede abdominal ('abdome congelado'), o que torna o fechamento primário extremamente difícil ou impossível, resultando em uma hérnia ventral planejada que exigirá correções complexas no futuro.
Aumento da pressão intra-abdominal sustentada acima de 15-20 mmHg, queda no débito urinário, instabilidade hemodinâmica e, crucialmente, o aumento do pico de pressão inspiratória no ventilador mecânico. Estes sinais indicam que o fechamento está causando hipertensão intra-abdominal, devendo-se optar pela manutenção do abdome aberto com curativo a vácuo ou técnica de Bogotá.
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