Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021
Um paciente foi levado para a sala de emergência, em choque circulatório decorrente de ferimentos múltiplos no abdome, causados por projétil de arma de fogo. Durante a exploração cirúrgica, notaram-se lesões intestinais múltiplas. O cirurgião decidiu realizar a estratégia de controle de danos.Com relação à estratégia de controle de danos, adotada no caso clínico anterior, assinale a opção correta.
Cirurgia de controle de danos → Estabilização fisiológica, controle sangramento/contaminação, sem reconstrução imediata.
A cirurgia de controle de danos visa estabilizar rapidamente o paciente em choque grave por trauma, focando no controle do sangramento e da contaminação. A reconstrução definitiva é postergada para um segundo tempo, quando o paciente estiver fisiologicamente mais estável.
A cirurgia de controle de danos (CCD) é uma estratégia cirúrgica adotada em pacientes com trauma grave e instabilidade fisiológica, como choque hemorrágico refratário, coagulopatia, acidose e hipotermia. Seu objetivo principal é interromper a cascata de deterioração fisiológica, priorizando a estabilização do paciente sobre o reparo anatômico definitivo, visando salvar a vida. A fisiopatologia do trauma grave leva à "tríade letal" (hipotermia, acidose metabólica e coagulopatia), que é exacerbada por cirurgias prolongadas. A CCD visa controlar rapidamente as fontes de sangramento e contaminação, como lesões intestinais múltiplas, através de reparos temporários, ressecções com grampeamento ou contenção de extravasamentos, sem a reconstrução imediata, minimizando o tempo de exposição cirúrgica. Após a laparotomia abreviada, o paciente é transferido para a UTI para reanimação intensiva e correção da tríade letal. Uma vez estabilizado fisiologicamente, ele retorna ao centro cirúrgico para a cirurgia definitiva. Essa abordagem em múltiplos estágios melhora significativamente a sobrevida em pacientes criticamente traumatizados, otimizando as condições para a recuperação.
É indicada em pacientes com choque hemorrágico grave e refratário, coagulopatia, hipotermia, acidose metabólica grave, lesões complexas ou múltiplas que demandariam tempo cirúrgico prolongado para reparo definitivo, ou quando há incapacidade de controlar o sangramento com medidas convencionais.
As fases incluem: 1) Laparotomia abreviada (controle de sangramento e contaminação); 2) Reanimação na UTI (correção da tríade letal: hipotermia, acidose, coagulopatia); 3) Reoperação definitiva (reconstrução anatômica e fechamento da parede abdominal).
A reconstrução imediata prolongaria o tempo cirúrgico, aumentando o risco de hipotermia, acidose e coagulopatia em um paciente já instável. O objetivo primário é controlar a contaminação e o sangramento para estabilizar o paciente, postergando a reconstrução para um momento de maior estabilidade fisiológica.
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