FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Um jovem, vítima de ferimento por arma branca em face anterior do abdômen chega à emergência com evisceração. Hemodinamicamente normal, é avaliado pelo cirurgião de trauma que indica cirurgia. Durante a laparotomia exploradora, assim que abre a cavidade peritoneal, se depara com sangramento intenso em região de jejuno e retroperitonial na zona Il a direita. Há instabilização hemodinâmica e o anestesista indica reanimação volêmica com Ringer Lactato e ativa o Protocolo de Transfusão Maciça existente na Instituição. Após controle cirúrgico do sangramento ativo, o exame tromboelastrometria (ROTEM) indica a existência de retardo na formação da curva do coágulo. Neste caso, a melhor conduta seria:
Trauma grave com instabilização hemodinâmica e coagulopatia (ROTEM: retardo formação coágulo) → Cirurgia Controle de Danos + PFF.
Em trauma grave com instabilidade hemodinâmica e coagulopatia evidenciada por ROTEM (retardo na formação do coágulo, indicando deficiência de fatores de coagulação), a Cirurgia de Controle de Danos com peritoniostomia e administração de Plasma Fresco Congelado é a conduta mais adequada.
O trauma abdominal grave com instabilidade hemodinâmica e sangramento maciço é uma emergência cirúrgica que exige uma abordagem rápida e coordenada. A Cirurgia de Controle de Danos (CCD) é uma estratégia vital nesses cenários, focando inicialmente no controle do sangramento e da contaminação, com fechamento temporário da cavidade (peritoniostomia) e postergação da reparação definitiva para um segundo momento, após a estabilização fisiológica do paciente. A coagulopatia induzida por trauma é uma complicação grave, exacerbada por hipotermia, acidose e hemodiluição por reposição volêmica. O ROTEM (Tromboelastometria Rotacional) é uma ferramenta valiosa que permite uma avaliação rápida e em tempo real da coagulação, guiando a reposição de hemocomponentes de forma mais direcionada. Um retardo na formação da curva do coágulo no ROTEM indica deficiência de fatores de coagulação. Nesse contexto, a administração de Plasma Fresco Congelado (PFC) é a conduta mais apropriada, pois o PFC repõe os fatores de coagulação deficientes, auxiliando na correção da coagulopatia e no controle do sangramento. O ácido tranexâmico é um antifibrinolítico e as plaquetas são indicadas para trombocitopenia ou disfunção plaquetária, não sendo a primeira escolha para retardo na formação do coágulo por deficiência de fatores.
A Cirurgia de Controle de Danos é uma estratégia cirúrgica em etapas para pacientes com trauma grave e instabilidade fisiológica, visando controlar sangramento e contaminação rapidamente, postergando a reparação definitiva para quando o paciente estiver estabilizado. É indicada em choque grave, coagulopatia, hipotermia e acidose.
O ROTEM (Tromboelastometria Rotacional) é um exame rápido que avalia a formação e estabilidade do coágulo em tempo real. Um retardo na formação da curva do coágulo sugere deficiência de fatores de coagulação, indicando a necessidade de Plasma Fresco Congelado.
O PFC contém todos os fatores de coagulação plasmáticos e é utilizado para corrigir coagulopatias por deficiência de fatores, como as observadas em hemorragias maciças ou após transfusão maciça, restaurando a capacidade de coagulação do paciente.
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