SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2019
Mulher de 20 anos foi vítima de ferimento por arma branca no epigástrio. Chegou ao hospital cerca de 40 minutos após o evento. A exploração digital do ferimento mostra penetração na cavidade abdominal; o dedo de luva introduzido na laceração produzida pela facada volta sujo de fezes e sangue. FC: 130 bpm; PA: 60 × 40 mmHg. Gasometria: pH: 7,15, bicarbonato: 10 mEq/L, BE: −15. Optou-se por exploração imediata por laparotomia, sendo identificada lesão de cólon transverso proximal, acometendo mais que 75% da circunferência da alça, e lesão de 3 segmentos de delgado, todos muito próximos. A contaminação fecal foi classificada como moderada. Havia sangramento ativo de vários vasos de mesentério e de mesocólon. A hemostasia foi feita com sucesso. Também foi feita limpeza cuidadosa da cavidade. Durante anestesia, a pressão arterial estava sendo mantida com noradrenalina e adrenalina e a temperatura corpórea era 34 °C. Melhor conduta em relação às lesões intestinais:
Trauma abdominal grave, instável, tríade letal (acidose, hipotermia, coagulopatia) → Cirurgia de Controle de Danos (peritoniostomia).
Paciente com trauma abdominal grave, instável, com acidose, hipotermia e coagulopatia (tríade letal) exige cirurgia de controle de danos, com foco em hemostasia, controle da contaminação e peritoniostomia.
O trauma abdominal grave, especialmente por ferimento por arma branca, pode levar rapidamente a um quadro de choque e instabilidade hemodinâmica. A presença de acidose metabólica, hipotermia e coagulopatia, conhecida como a "tríade letal", indica um paciente em estado crítico que não tolera procedimentos cirúrgicos prolongados ou complexos. Nesses casos, a cirurgia de controle de danos é a estratégia de escolha. A cirurgia de controle de danos visa interromper a cascata de deterioração fisiológica, focando em três objetivos principais: controle da hemorragia, controle da contaminação e fechamento temporário da cavidade abdominal (peritoniostomia). Isso permite que o paciente seja estabilizado na UTI, corrigindo a acidose, hipotermia e coagulopatia, antes de uma segunda abordagem cirúrgica para reparos definitivos. No cenário descrito, com lesões extensas de cólon e delgado, contaminação fecal moderada e a tríade letal instalada, a colectomia segmentar com sepultamento dos cotos e enterectomia única com sepultamento dos cotos, seguida de peritoniostomia, representa a abordagem de controle de danos mais adequada. Essa conduta minimiza o tempo operatório e permite a recuperação fisiológica do paciente, aumentando suas chances de sobrevivência.
A tríade letal consiste em acidose metabólica, hipotermia e coagulopatia. É crucial porque a presença desses fatores indica um paciente gravemente comprometido, exigindo uma abordagem cirúrgica de controle de danos para evitar a deterioração fisiológica e aumentar a sobrevida.
Os princípios incluem controle rápido da hemorragia, controle da contaminação, fechamento temporário da cavidade abdominal (peritoniostomia) e transferência do paciente para a UTI para otimização fisiológica antes de uma cirurgia definitiva.
A peritoniostomia é indicada em pacientes com trauma abdominal grave que desenvolvem a tríade letal, edema visceral significativo, ou quando a cirurgia definitiva prolongaria excessivamente o tempo operatório em um paciente instável e com risco de morte.
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