FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Paciente de 27 anos, dirigindo embriagado, foi vítima de colisão frontal com outro automóvel, dando entrada na emergência com sinais de choque hipovolêmico. Submetido à laparotomia exploradora, sendo reanimado com massiva reposição de fluidos, evoluindo com síndrome compartimental abdominal. Neste cenário, todos os itens abaixo são componentes que devem fazer parte da cirurgia de controle de danos (ressuscitação hemostática), exceto:
Ressuscitação hemostática = Hemoderivados precoces (1:1:1) + Hipotensão permissiva - Cristaloides excessivos.
A cirurgia de controle de danos prioriza a estabilização fisiológica sobre a reparação anatômica definitiva, combatendo precocemente a acidose, hipotermia e coagulopatia.
A Cirurgia de Controle de Danos (DCS) surgiu como resposta à alta mortalidade de pacientes com trauma exanguinante submetidos a cirurgias longas e complexas. O foco mudou da reconstrução anatômica para a restauração da homeostase. A 'Tríade Letal' (acidose, hipotermia e coagulopatia) é o principal alvo terapêutico. Atualmente, o conceito evoluiu para a Ressuscitação de Controle de Danos (DCR), que integra a técnica cirúrgica abreviada com estratégias de ressuscitação agressivas, como o uso de ácido tranexâmico nos primeiros 180 minutos e a minimização de soluções cristaloides, que são pró-inflamatórias e dilucionais.
A ressuscitação hemostática baseia-se no uso precoce de sangue total ou componentes (hemácias, plasma e plaquetas) em proporções equilibradas (geralmente 1:1:1), limitação do uso de cristaloides para evitar a coagulopatia dilucional e o uso de hipotensão permissiva até que o sangramento seja controlado cirurgicamente.
A estratégia é dividida em três fases: Fase I (Laparotomia inicial para controle de hemorragia e contaminação), Fase II (Ressuscitação em UTI para correção da tríade letal) e Fase III (Reoperação planejada para reparo definitivo das lesões e fechamento da parede abdominal).
A hipotensão permissiva visa manter uma pressão arterial média mínima (cerca de 60-65 mmHg) suficiente para perfusão cerebral e cardíaca, mas baixa o suficiente para não 'expulsar' o coágulo recém-formado e não exacerbar o sangramento ativo antes do controle cirúrgico definitivo.
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