HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2020
Paciente masculino, 25 anos é trazido pelo SAMU 192 à sala de choque vítima de ferimento por arma de fogo com orifício de entrada em quadrante superior direito do abdome, e orifício de saída no dorso à direita, com irritação peritoneal, mas hemodinamicamente estável. Após as medidas de reanimação inicial é rapidamente levado a laparotomia exploradora com achado de lesão transfixante de colo transverso grau III, com moderada contaminação fecal nesta topografia, lesão duodenal na segunda porção grau IV e trauma pancreático grau III com laceração ductal (junção de ductos colédoco e pancreático principal). Uma vez identificadas as lesões, o melhor tratamento imediato no trauma para a lesão duodeno-pancreática descrita é:
Lesão complexa duodeno-pancreática + contaminação fecal → Controle de Danos (Damage Control).
Em traumas complexos com múltiplas lesões viscerais e contaminação, a prioridade é o controle de hemorragia e contaminação (Damage Control) em vez de reconstruções definitivas exaustivas.
O trauma duodenopancreático combinado representa um dos maiores desafios da cirurgia do trauma devido à complexidade anatômica e à natureza corrosiva das secreções pancreáticas e biliares. Lesões de alto grau (Duodeno IV e Pâncreas III) associadas à contaminação fecal por lesão colônica tornam o ambiente peritoneal hostil para suturas e anastomoses complexas. A estratégia de Controle de Danos (Damage Control) prioriza a fisiologia sobre a anatomia, visando interromper a exaustão metabólica do paciente e adiando a reconstrução definitiva para um segundo tempo cirúrgico seguro.
O grau III é definido por uma lesão com laceração distal ou lesão do parênquima pancreático com suspeita ou confirmação de envolvimento do ducto pancreático principal (ducto de Wirsung), exigindo manejo especializado.
A cirurgia de Whipple (duodenopancreatectomia) é extremamente mórbida e demorada. No trauma, o paciente frequentemente apresenta a 'tríade da morte' (acidose, hipotermia e coagulopatia), não tolerando o tempo cirúrgico necessário para reconstruções definitivas.
Consiste em três fases: 1. Laparotomia inicial rápida para controle de hemorragia e contaminação; 2. Ressuscitação hemodinâmica e correção metabólica em ambiente de UTI; 3. Reoperação planejada para reparo definitivo das lesões após estabilização.
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