PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2024
Os princípios da cirurgia de controle de danos incluem
Controle de Danos = Estabilização fisiológica > Reparo anatômico definitivo.
A cirurgia de controle de danos prioriza o controle rápido de hemorragias e contaminação, adiando o reparo definitivo para quando o paciente estiver metabolicamente estável.
A Cirurgia de Controle de Danos (DCS) representa uma mudança de paradigma no trauma: do reparo anatômico completo para o controle fisiológico. O objetivo primordial é interromper o ciclo vicioso da 'tríade letal' (acidose metabólica, hipotermia e coagulopatia), que mata o paciente mais rápido do que as lesões anatômicas propriamente ditas. A técnica envolve manobras rápidas como o 'packing' (tamponamento) hepático, ligaduras vasculares simples e exclusão de segmentos intestinais lesionados sem anastomose imediata. A indicação deve ser precoce, muitas vezes decidida nos primeiros minutos da laparotomia ou até mesmo no pré-operatório. A escolha por essa estratégia depende da gravidade das lesões, do estado fisiológico do paciente e da infraestrutura hospitalar. O sucesso da DCS depende intrinsecamente de uma reanimação hemostática agressiva na UTI, focada em restaurar a perfusão tecidual e corrigir os distúrbios metabólicos antes de retornar ao centro cirúrgico.
A estratégia é dividida em: Fase I (Operatória Inicial) para controle rápido de hemorragia e contaminação, com fechamento temporário da cavidade; Fase II (UTI) para reanimação metabólica, correção de hipotermia, acidose e coagulopatia; e Fase III (Reoperação) para o reparo definitivo das lesões e fechamento formal da parede abdominal, geralmente 24-48 horas após a primeira intervenção.
A decisão é baseada na exaustão fisiológica do paciente (tríade letal: pH < 7.2, temperatura < 35°C, coagulopatia) e na complexidade das lesões. Também considera-se o mecanismo de trauma (alta energia), a necessidade de múltiplas transfusões e, crucialmente, os recursos disponíveis no centro de trauma para manejar um paciente crítico.
O fechamento temporário (peritoniostomia) é essencial para prevenir a Síndrome Compartimental Abdominal, que pode ocorrer devido ao edema de alças e retroperitônio após reanimação volêmica agressiva. Além disso, facilita o acesso rápido para a reoperação programada (Fase III) e permite a inspeção frequente da viabilidade de órgãos e controle de danos contínuo.
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