SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Homem, 50 anos de idade, vítima de atropelamento, apresentou choque hemorrágico de foco abdominal, sendo submetido à laparotomia exploradora e cirurgia de controle de danos com empacotamento hepático e peritoneostomia com curativo por pressão negativa. O paciente foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva para estabilização hemodinâmica.\n\nDiante desse caso, indique a conduta correta no momento da reexploração do abdome desse paciente:
Reexploração no controle de danos → Nutrição enteral deve ser locada após o ângulo de Treitz.
Na cirurgia de controle de danos, a nutrição pós-pilórica é preferível para garantir aporte calórico precoce e reduzir riscos de aspiração em pacientes com abdome aberto.
A Cirurgia de Controle de Danos (CCD) é uma estratégia salva-vidas em traumas abdominais graves com a tríade letal (acidose, hipotermia e coagulopatia). Consiste em uma laparotomia inicial abreviada para controle de hemorragia e contaminação, seguida de estabilização em UTI e reexploração programada (24-48h).\n\nDurante a reexploração, o foco muda para o reparo definitivo das lesões. A manutenção da via enteral é prioritária para a integridade da barreira mucosa intestinal. A técnica de fechamento da parede abdominal deve ser criteriosa; o uso de tração aponeurótica progressiva e curativos de pressão negativa auxilia no fechamento fascial tardio, evitando a necessidade de grandes reconstruções futuras ou hérnias ventrais gigantes.
Em pacientes submetidos à cirurgia de controle de danos e mantidos em peritoneostomia, a motilidade gástrica costuma estar prejudicada (íleo paralítico gástrico). A locação da sonda de nutrição enteral após o ângulo de Treitz (pós-pilórica) permite o início precoce da dieta, reduz o risco de refluxo gastroesofágico e aspiração pulmonar, e contorna a gastroparesia frequente no paciente crítico traumatizado.
O fechamento da aponeurose só deve ser realizado quando não houver tensão excessiva e quando a pressão intra-abdominal estiver controlada. Um sinal de alerta é o aumento da pressão de pico das vias aéreas; se o fechamento causar um aumento significativo (geralmente > 10 cmH2O acima do basal), o risco de síndrome compartimental abdominal é alto, e a cavidade deve permanecer aberta com curativo de pressão negativa ou bolsa de Bogotá.
A preservação do omento maior é fundamental para proteger as alças intestinais contra o ressecamento, aderências à parede abdominal e formação de fístulas enteroatmosféricas. Ele atua como uma barreira biológica entre o conteúdo visceral e o curativo de pressão negativa ou a cobertura temporária utilizada na peritoneostomia.
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