CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021
Em relação à cirurgia de catarata após transplante de córnea assinale a alternativa correta.
LIO hidrofóbica é preferível pós-transplante se houver risco de uso de gás (evita opacificação).
Lentes intraoculares hidrofílicas podem sofrer calcificação em contato com gases intraoculares (ar, SF6, C3F8); por isso, as hidrofóbicas são indicadas em olhos com transplante prévio.
A cirurgia de catarata em olhos com transplante de córnea prévio é um desafio cirúrgico devido à contagem endotelial reduzida e à irregularidade astigmática. A preservação do enxerto é a prioridade, exigindo técnicas de 'soft-shell' (uso combinado de viscoelásticos dispersivos e coesivos) e parâmetros de facoemulsificação de baixa energia. A escolha da LIO é crítica. Além da questão da biocompatibilidade e risco de calcificação com gases, o cálculo biométrico é complexo. Fórmulas de nova geração ou o uso de ceratometria total (Total Keratometry) são recomendados para minimizar surpresas refrativas, comuns nesses casos devido à alteração da relação entre as curvaturas anterior e posterior da córnea.
Pacientes que já realizaram transplante de córnea (especialmente ceratoplastias lamelares posteriores como DMEK ou DSAEK) ou que podem vir a precisar de procedimentos com injeção de ar ou gás na câmara anterior, não devem receber lentes hidrofílicas. O contato direto do gás com a lente pode induzir a deposição de cristais de cálcio e fosfato na superfície ou no interior da LIO (calcificação), levando à perda de transparência e necessidade de troca da lente.
O viscoelástico dispersivo (como o condroitin sulfato) é superior para a proteção endotelial durante a facoemulsificação. Devido à sua baixa tensão superficial e baixa coesividade, ele adere melhor ao endotélio e não é aspirado facilmente durante a cirurgia, criando uma barreira protetora contra o trauma mecânico dos fragmentos de cristalino e a energia de ultrassom.
As suturas do transplante de córnea devem ser manejadas com cautela. Retirá-las precocemente ou no intraoperatório pode causar instabilidade ceratométrica severa, tornando o cálculo da lente intraocular (LIO) imprevisível. O ideal é que a córnea esteja estável, preferencialmente com as suturas já retiradas há meses ou, se mantidas, que o cálculo considere o astigmatismo induzido por elas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo