AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
A fisiopatologia da obesidade grave é multifatorial e baseia-se em alguma predisposição genética, com uma clara predisposição familiar. Um dos históricos mais notáveis na medicina moderna é o da absoluta superioridade da cirurgia bariátrica sobre a terapia medicamentosa para o tratamento da obesidade mórbida e suas comorbidades. Em relação a este tratamento e sua fisiopatologia, analise as assertivas abaixo: I. Os pacientes candidatos devem ter IMC > 40 kg/m², sem comorbidades associadas, ou IMC > 35 kg/m² com comorbidade associada. Nesses pacientes, as terapias dietética e comportamental também devem ter falhado. II. Os pacientes dependentes de álcool são elegíveis para realização da cirurgia bariátrica, contanto que avaliados por psiquiatras e definidos como estáveis psiquiatricamente. III. A remissão ou melhora do diabetes melito tipo 2 é considerada um dos principais benefícios após a cirurgia bariátrica, estando provavelmente relacionada a uma ação melhor da insulina, a função das células beta e o efeito modulador dos hormônios intestinais no eixo enteroinsular. IV. O tratamento clínico da obesidade mórbida apresenta melhores resultados somente quando o paciente apresenta algumas comorbidades específicas, dentre elas a apneia do sono e a retinopatia diabética. V. Os pacientes com prevalência de obesidade central se beneficiam da técnica de gastrectomia vertical laparoscópica ou convencional, pois a diminuição noturna da secreção de grelina se torna mais acentuada. Estão corretas as assertivas:
Bariátrica → IMC > 40 ou > 35 + comorbidades + falha clínica + remissão DM2 (eixo enteroinsular).
A cirurgia bariátrica supera o tratamento clínico na obesidade grave por promover mudanças hormonais (incretinas) que melhoram o controle glicêmico antes mesmo da perda de peso significativa.
A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, onde a cirurgia bariátrica se consolidou como o tratamento mais eficaz para casos graves. A superioridade da cirurgia sobre o tratamento medicamentoso em pacientes com IMC elevado deve-se à modificação do 'set-point' metabólico do indivíduo. As técnicas cirúrgicas, sejam restritivas ou disabsortivas/metabólicas, alteram a sinalização neuroendócrina entre o intestino e o cérebro. O sucesso do procedimento depende de uma avaliação multidisciplinar rigorosa. Contraindicações como transtornos psiquiátricos não controlados, dependência de álcool ou drogas ativa e risco cirúrgico proibitivo devem ser excluídas. O acompanhamento pós-operatório é vital para monitorar deficiências nutricionais e garantir a manutenção da perda ponderal e o controle das comorbidades metabólicas.
A indicação clássica baseia-se em pacientes com IMC > 40 kg/m², independentemente de comorbidades, ou IMC > 35 kg/m² na presença de comorbidades relacionadas à obesidade (como DM2, hipertensão, apneia do sono). Em ambos os casos, é necessário que o paciente tenha tentado tratamento clínico prévio sem sucesso por pelo menos dois anos.
A remissão ocorre por mecanismos que vão além da perda de peso. A alteração anatômica do trato gastrointestinal modifica a secreção de hormônios como GLP-1 e PYY (efeito incretínico), que aumentam a secreção de insulina e a sensibilidade periférica a ela, além de modular o eixo enteroinsular, resultando em melhora glicêmica precoce.
Na gastrectomia vertical (Sleeve), a ressecção do fundo gástrico remove a principal zona de produção de grelina, o 'hormônio da fome'. Isso leva a uma redução acentuada do apetite e contribui para a perda de peso sustentada, embora o enunciado da questão mencione incorretamente a secreção noturna como fator principal.
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