UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 45a, vem à consulta para perda de peso. Ela está em programa de dieta e atividade física há dois anos, perdeu 10Kg, mas o peso estabilizou. Antecedentes pessoais: diabetes melito, hipertensão arterial e nefrolitíase. Medicamentos em uso: losartana, metformina e liraglutida. Exame físico: PA = 126/84 mmHg, FC = 78 bpm, FR = 14 irpm, oximetria de pulso = 96% (ar ambiente). IMC = 43,4 Kg/m2. A melhor conduta é:
IMC ≥ 40 kg/m² ou ≥ 35 com comorbidades + falha no tratamento clínico → Indicação de Cirurgia Bariátrica.
A paciente apresenta Obesidade Grau III (IMC 43,4) e comorbidades graves (DM, HAS). Após 2 anos de falha no tratamento clínico otimizado, a cirurgia bariátrica é a conduta padrão-ouro.
A obesidade é uma doença crônica e progressiva. O tratamento cirúrgico não é apenas para perda ponderal, mas sim uma intervenção metabólica. Em pacientes com IMC acima de 40, a probabilidade de sucesso sustentado apenas com medidas comportamentais e farmacológicas é inferior a 5%. A gastrectomia vertical (sleeve) tem ganhado espaço por sua eficácia e menor perfil de complicações nutricionais em comparação ao bypass gástrico. Neste caso clínico, a presença de nefrolitíase é um ponto relevante, pois o bypass gástrico pode aumentar a excreção urinária de oxalato, elevando o risco de novos cálculos, tornando o Sleeve uma opção tecnicamente atraente. A decisão deve ser compartilhada, mas a indicação cirúrgica é clara conforme as diretrizes da SBCBM e do CFM.
As indicações incluem IMC ≥ 40 kg/m² ou IMC ≥ 35 kg/m² associado a comorbidades de difícil controle (como DM2, HAS, apneia do sono, dislipidemia, entre outras). Além disso, o paciente deve ter idade entre 16 e 65 anos (com avaliações específicas fora dessa faixa) e apresentar falha no tratamento clínico conservador (dieta, exercícios e medicamentos) por pelo menos dois anos, além de ausência de contraindicações psiquiátricas ou clínicas graves.
A Gastrectomia Vertical (Sleeve) é uma técnica restritiva que remove a grande curvatura do estômago, reduzindo a produção de grelina. É frequentemente preferida em pacientes com risco cirúrgico moderado, necessidade de acesso endoscópico futuro às vias biliares ou em casos onde a má-absorção de micronutrientes (comum no Bypass em Y de Roux) deve ser evitada, como em pacientes com histórico de nefrolitíase por oxalato.
Sim, o tratamento medicamentoso para obesidade e comorbidades deve ser otimizado no pré-operatório para reduzir o risco cirúrgico. No entanto, a estabilização do peso (plateau) em níveis de obesidade mórbida (IMC > 40) apesar do uso de liraglutida e metformina sinaliza a necessidade de intervenção mais definitiva, como a cirurgia bariátrica, para controle metabólico a longo prazo.
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