Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Homem de 40 anos, com IMC 36 e apneia do sono, deseja perder peso. Já tentou dieta e atividade física. Qual a próxima conduta com maior eficácia?
IMC ≥ 35 + Comorbidade (ex: Apneia) + Falha no tratamento clínico → Cirurgia Bariátrica.
A cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz para perda de peso sustentada em pacientes com obesidade grau II e comorbidades graves.
A obesidade é uma doença crônica e progressiva com fisiopatologia complexa envolvendo desregulação hormonal e metabólica. Para pacientes com obesidade grau II (IMC 35-39,9) e comorbidades significativas, como a apneia do sono, as intervenções de estilo de vida e farmacológicas muitas vezes resultam em perda de peso modesta e alta taxa de reganho. A cirurgia bariátrica atua não apenas pela restrição ou má-absorção, mas principalmente pela modulação de hormônios incretínicos e sacietógenos (como GLP-1 e PYY), proporcionando uma perda de peso mais expressiva e duradoura. Estudos mostram que a intervenção cirúrgica é superior ao tratamento clínico na resolução de comorbidades metabólicas e na redução da mortalidade a longo prazo, sendo a conduta de escolha para casos refratários com impacto sistêmico.
Segundo o CFM e diretrizes internacionais, a cirurgia bariátrica é indicada para pacientes com IMC ≥ 40 kg/m² ou IMC ≥ 35 kg/m² associado a comorbidades de difícil controle, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apneia do sono, dislipidemia ou doenças articulares graves. O paciente deve ter histórico de falha no tratamento clínico (dieta, exercícios e medicamentos) por pelo menos dois anos.
Sim, a apneia obstrutiva do sono (AOS) é uma das principais comorbidades que justificam a indicação cirúrgica em pacientes com IMC entre 35 e 40. A perda de peso significativa após a cirurgia bariátrica frequentemente leva à remissão ou melhora acentuada da AOS, reduzindo o risco cardiovascular e melhorando a qualidade de vida, sendo superior a qualquer intervenção farmacológica isolada.
As contraindicações incluem transtornos psiquiátricos graves não controlados (como psicose ou depressão maior), dependência química ativa de álcool ou drogas ilícitas, doenças sistêmicas que impeçam a anestesia geral, ou incapacidade de compreender e seguir as orientações nutricionais e suplementares necessárias no pós-operatório. A avaliação por uma equipe multidisciplinar é obrigatória antes do procedimento.
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