Hepatite B Crônica: Sinais de Cirrose Descompensada

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 60a, comparece à Unidade Básica de Saúde referindo fraqueza, indisposição, aumento do volume abdominal e edema de membros inferiores há três meses. Exame físico: afebril, acianótico, anictérico, eupneico, hidratado. PA=124/82mmHg, FC=82bpm. Ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações. Abdômen: ascite volumosa, membros inferiores com edema moderado. Presença de ginecomastia. Exames laboratoriais: sorologia para Hepatite C=não reagente; sorologia para hepatite B: HBsAg=positivo, anti-HBs=negativo, anti-HBc=positivo, anti-HBe=positivo, HBeAg=negativo, HIV=negativo.A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA, QUE DETERMINA A CONDUTA, É:

Alternativas

Pérola Clínica

HBsAg+, anti-HBs-, anti-HBc+, HBeAg-, anti-HBe+ com ascite/edema/ginecomastia → Cirrose hepática descompensada por Hepatite B crônica.

Resumo-Chave

O perfil sorológico HBsAg positivo, anti-HBs negativo, anti-HBc positivo, HBeAg negativo e anti-HBe positivo indica infecção crônica por Hepatite B na fase de replicação viral baixa ou inativa. A presença de ascite, edema e ginecomastia são sinais clássicos de descompensação de cirrose hepática, que é uma complicação comum da hepatite B crônica.

Contexto Educacional

A infecção crônica pelo vírus da Hepatite B (HBV) é uma das principais causas de doença hepática crônica, cirrose e carcinoma hepatocelular em todo o mundo. A interpretação da sorologia do HBV é crucial para o diagnóstico e estadiamento da doença. O perfil HBsAg positivo (antígeno de superfície), anti-HBs negativo (anticorpo de superfície), anti-HBc positivo (anticorpo do core), HBeAg negativo (antígeno e) e anti-HBe positivo (anticorpo e) indica uma infecção crônica pelo HBV, geralmente na fase de imunotolerância ou de replicação viral baixa, mas que pode evoluir para cirrose. A cirrose hepática é o estágio final de diversas doenças hepáticas crônicas, caracterizada por fibrose e nódulos de regeneração, levando à disfunção hepática e hipertensão portal. Os sintomas apresentados pelo paciente – fraqueza, indisposição, aumento do volume abdominal (ascite), edema de membros inferiores e ginecomastia – são manifestações clássicas de cirrose hepática descompensada. A ascite e o edema resultam da hipertensão portal e da hipoalbuminemia, enquanto a ginecomastia é um sinal de disfunção hepática na metabolização hormonal. Diante desse quadro clínico e sorológico, a hipótese diagnóstica mais provável é cirrose hepática descompensada secundária à infecção crônica pelo vírus da Hepatite B. A conduta subsequente deve focar na avaliação da gravidade da cirrose (Child-Pugh, MELD), investigação de complicações (varizes esofágicas, encefalopatia, carcinoma hepatocelular) e no manejo da infecção pelo HBV, que pode incluir terapia antiviral para suprimir a replicação viral e prevenir a progressão da doença hepática.

Perguntas Frequentes

Como interpretar o perfil sorológico da Hepatite B apresentado?

HBsAg positivo e anti-HBc positivo indicam infecção atual ou prévia. Anti-HBs negativo indica ausência de imunidade protetora. HBeAg negativo e anti-HBe positivo sugerem uma fase de replicação viral baixa ou inativa, mas não excluem doença hepática ativa ou cirrose.

Quais são os principais sinais de descompensação da cirrose hepática?

Os principais sinais de descompensação da cirrose incluem ascite (acúmulo de líquido abdominal), edema de membros inferiores, encefalopatia hepática, hemorragia varicosa e icterícia.

Qual a importância da ginecomastia em pacientes com doença hepática?

A ginecomastia em pacientes com doença hepática crônica, como a cirrose, é um sinal de disfunção hepática, refletindo um desequilíbrio hormonal, com aumento da relação estrogênio/androgênio devido à falha na metabolização hepática dos estrogênios.

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