UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Homem de 45 anos de idade, portador de cirrose hepática alcoólica, chega à emergência com quadro de hematêmese de grande volume. Nega episódios semelhantes a esse. Estava em acompanhamento ambulatorial regular, em uso de furosemida 40mg e espironolactona 100mg. Nega episódios prévios de encefalopatia hepática.Ao exame:Hipocorado ++, afebril, ictérico ++Consciente e orientadoACV: FC = 98bpm, RCR (2T), PA 100/70mmHgAR: FR = 16ipm, MV+, redução de MV em basesABD: RHA+, indolor, semicírculo de Skoda presenteMMII: edema +/4Cite duas complicações que poderiam ocorrer neste caso relacionadas à doença de base:Paciente evoluiu bem, recebendo alta 3 semanas após. Cite duas orientações pós alta:
Cirrose com hematêmese → Risco de encefalopatia hepática, PBE, SHR. Pós-alta: abstinência álcool, dieta hipossódica.
Pacientes com cirrose hepática e hemorragia digestiva alta (hematêmese) estão sob alto risco de descompensação aguda. Complicações como encefalopatia hepática, peritonite bacteriana espontânea (PBE) e síndrome hepatorrenal (SHR) são comuns e devem ser ativamente prevenidas e monitoradas, além de orientações rigorosas pós-alta.
A cirrose hepática alcoólica é uma doença crônica e progressiva que leva à fibrose e desorganização da arquitetura hepática, resultando em hipertensão portal e insuficiência hepatocelular. A hematêmese de grande volume, frequentemente causada por ruptura de varizes esofágicas, é uma emergência médica grave e um sinal de descompensação da cirrose, com alta morbimortalidade associada. A fisiopatologia da cirrose envolve a destruição dos hepatócitos e a formação de nódulos de regeneração, que distorcem a circulação hepática e aumentam a pressão na veia porta. A hemorragia digestiva alta em cirróticos é um gatilho para diversas complicações, como encefalopatia hepática (pelo aumento da carga nitrogenada e amônia), peritonite bacteriana espontânea (PBE) devido à translocação bacteriana e síndrome hepatorrenal (SHR) pela disfunção circulatória e vasoconstrição renal. O manejo agudo da hematêmese envolve estabilização hemodinâmica, profilaxia antibiótica, drogas vasoativas (terlipressina, octreotide) e endoscopia digestiva alta para ligadura elástica ou escleroterapia das varizes. Após a alta, o foco é na prevenção de novas descompensações e progressão da doença. Orientações cruciais incluem abstinência alcoólica rigorosa, dieta adequada (restrição de sódio), adesão à medicação (diuréticos, betabloqueadores não seletivos) e acompanhamento regular. Residentes devem estar aptos a identificar e manejar essas complicações e fornecer orientações de alta abrangentes para melhorar o prognóstico.
Após um episódio de hematêmese, as principais complicações agudas incluem encefalopatia hepática, peritonite bacteriana espontânea (PBE), síndrome hepatorrenal (SHR) e infecções sistêmicas, devido à descompensação da função hepática e translocação bacteriana aumentada.
As orientações essenciais incluem abstinência total de álcool, dieta hipossódica para controle da ascite e edema, adesão rigorosa à medicação (diuréticos, betabloqueadores não seletivos) e acompanhamento médico regular para monitoramento e prevenção de novas descompensações e complicações.
A hemorragia digestiva em cirróticos aumenta a permeabilidade da barreira intestinal e a translocação bacteriana para o líquido ascítico, facilitando a infecção e o desenvolvimento de peritonite bacteriana espontânea, uma complicação grave e com alta mortalidade que exige profilaxia antibiótica.
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