Cirrose Alcoólica: Marcadores Laboratoriais Chave e Prognóstico

UFGD/HU - Hospital Universitário de Dourados (MS) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 49 anos, sexo masculino, com relato de consumo de álcool de pelo menos 1 garrafa de destilado ao dia, nos últimos 25 anos, é avaliado no ambulatório de Clínica Médica. Ao exame, notam-se icterícia, abdome ascítico, eritema palmar e edema em membros inferiores.O caso caracteriza um paciente com Cirrose Hepática de Etiologia Alcoólica, e sobre isso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Apesar de recomendada, a abstinência alcoólica nesse grupo de pacientes não influencia o seu prognóstico.
  2. B) A realização de Endoscopia Digestiva Alta (EDA), para diagnóstico de varizes de esôfago, pode ser substituída pela prescrição de betabloqueadores não seletivos.
  3. C) A incidência de hepatocarcinoma é semelhante à população em geral.
  4. D) Nos exames laboratoriais do paciente descrito, é esperado predomínio de AST (Aspartato Aminotransferase) sobre ALT (Alanina Aminotransferase).
  5. E) A redução da ingestão de sal e proteínas é orientação importante no aconselhamento inicial desse paciente.

Pérola Clínica

Cirrose alcoólica → relação AST/ALT > 2:1 é achado laboratorial clássico.

Resumo-Chave

Na hepatopatia alcoólica, o dano mitocondrial e a deficiência de piridoxal-fosfato (cofator da ALT) levam a uma liberação desproporcional de AST em relação à ALT, resultando em uma relação AST/ALT geralmente maior que 2:1, um marcador diagnóstico importante.

Contexto Educacional

A cirrose hepática alcoólica é uma doença crônica do fígado causada pelo consumo excessivo e prolongado de álcool, sendo uma das principais causas de cirrose no mundo. Caracteriza-se por fibrose extensa e formação de nódulos de regeneração, levando à disfunção hepática progressiva. É crucial reconhecer seus sinais clínicos como icterícia, ascite, edema e eritema palmar, que indicam descompensação da doença. O diagnóstico da cirrose alcoólica baseia-se na história clínica de etilismo crônico, exame físico e exames laboratoriais. Um achado laboratorial clássico é a relação AST/ALT > 2:1, devido à deficiência de piridoxal-fosfato (cofator da ALT) e ao dano mitocondrial induzido pelo álcool que libera mais AST. Outros exames incluem bilirrubinas elevadas, hipoalbuminemia e coagulopatia. A biópsia hepática pode confirmar o diagnóstico, mas é menos utilizada atualmente. O tratamento da cirrose alcoólica é multifacetado, com a abstinência alcoólica sendo a intervenção mais importante para melhorar o prognóstico. O manejo das complicações inclui diuréticos para ascite e edema, betabloqueadores não seletivos para profilaxia de sangramento por varizes esofágicas (após EDA diagnóstica), e tratamento da encefalopatia hepática. A restrição proteica é reservada para casos de encefalopatia refratária, devido ao risco de desnutrição. O risco de hepatocarcinoma é significativamente aumentado nesses pacientes, exigindo vigilância.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos da cirrose hepática descompensada?

Sinais incluem icterícia, ascite, edema de membros inferiores, eritema palmar, aranhas vasculares, ginecomastia (em homens) e encefalopatia hepática.

Por que a relação AST/ALT é elevada na hepatopatia alcoólica?

Na hepatopatia alcoólica, o álcool causa dano mitocondrial que libera AST citoplasmática e mitocondrial. Além disso, a deficiência de piridoxal-fosfato, comum em etilistas, afeta mais a atividade da ALT, resultando em AST/ALT > 2:1.

A abstinência alcoólica realmente melhora o prognóstico da cirrose?

Sim, a abstinência alcoólica é a medida mais importante para melhorar o prognóstico da cirrose alcoólica, podendo estabilizar a doença, reduzir complicações e até melhorar a função hepática em alguns casos.

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