Escore de Child-Pugh e MELD na Cirrose Hepática

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024

Enunciado

A cirrose é o resultado final de uma resposta de cura iniciada pela injúria crônica ao fígado. Ela é caracterizada pelo desenvolvimento de septos fibrosos em torno de nódulos de regeneração. Sobre esse assunto, assinale a alternativa mais correta:

Alternativas

  1. A) O escore de Child-Pugh leva em consideração critérios laboratoriais (albumina, bilirrubina sérica e RNI) e critérios clínicos (ascite e encefalopatia).
  2. B) O escore de Child-Pugh prediz a presença de varizes esofágicas.
  3. C) O escore de MELD - Na leva em consideração albumina, RNI e creatinina.
  4. D) Pacientes com escore de Child-Pugh A, na ausência de hipertensão portal, não são candidatos a ressecções hepáticas.
  5. E) Pacientes com escore de Child-Pugh C são excelentes candidatos a ressecções hepáticas.

Pérola Clínica

Child-Pugh = BEATA (Bilirrubina, Encefalopatia, Albumina, TP/INR, Ascite) → Avalia reserva funcional.

Resumo-Chave

O escore de Child-Pugh utiliza parâmetros clínicos e laboratoriais para classificar a gravidade da cirrose e o risco cirúrgico, sendo A (5-6), B (7-9) e C (10-15).

Contexto Educacional

A cirrose hepática representa o estágio final de diversas agressões crônicas ao fígado, resultando em fibrose e nódulos de regeneração que distorcem a arquitetura vascular. A avaliação da gravidade é crucial para o manejo clínico e cirúrgico. O escore de Child-Pugh permanece como uma ferramenta clássica de beira de leito para estratificar a reserva funcional. Já o MELD-Na trouxe objetividade laboratorial, eliminando a subjetividade da avaliação da ascite e encefalopatia. Na prática cirúrgica, a presença de hipertensão portal (clinicamente sugerida por varizes esofágicas ou plaquetopenia < 100.000) é um divisor de águas. Mesmo um paciente Child A pode ter desfechos desfavoráveis em ressecções extensas se houver hipertensão portal significativa. Portanto, a integração de escores clínicos, laboratoriais e hemodinâmicos é essencial para a segurança do paciente cirrótico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios do escore de Child-Pugh?

O escore de Child-Pugh é composto por cinco parâmetros: dois clínicos (presença e gravidade de ascite e encefalopatia hepática) e três laboratoriais (níveis séricos de bilirrubina total, albumina e o RNI/tempo de protrombina). Cada item recebe uma pontuação de 1 a 3, totalizando de 5 a 15 pontos. Pacientes Child A (5-6 pontos) têm doença compensada, Child B (7-9) indicam comprometimento funcional significativo, e Child C (10-15) representam doença descompensada com alto risco de mortalidade.

Qual a diferença entre Child-Pugh e MELD?

Enquanto o Child-Pugh foca na reserva funcional hepática e prognóstico geral usando critérios clínicos e laboratoriais, o MELD (Model for End-Stage Liver Disease) é uma fórmula matemática baseada apenas em exames laboratoriais (Creatinina, Bilirrubina e RNI). O MELD é utilizado prioritariamente para a alocação de órgãos em transplante hepático, pois prediz a mortalidade em 3 meses. O MELD-Na ainda incorpora o Sódio para maior precisão em pacientes com ascite.

Como o Child-Pugh influencia a cirurgia hepática?

O escore de Child-Pugh é fundamental na avaliação pré-operatória. Pacientes Child A sem hipertensão portal significativa são os melhores candidatos a ressecções hepáticas. Pacientes Child B podem ser submetidos a procedimentos menores com cautela, enquanto o Child C é geralmente uma contraindicação para ressecções hepáticas devido ao altíssimo risco de insuficiência hepática pós-operatória e óbito, sendo o transplante a opção principal.

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