SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2025
Qual dos fatores aumenta o risco de translocação bacteriana e infecções nos pacientes com cirrose?
Uso de IBP na cirrose → ↓ acidez gástrica → ↑ supercrescimento bacteriano → ↑ translocação.
A supressão ácida gástrica por IBPs altera a barreira protetora contra bactérias ingeridas, favorecendo o supercrescimento bacteriano no intestino delgado e a subsequente translocação para linfonodos e corrente sanguínea.
A translocação bacteriana é o pilar fisiopatológico das complicações infecciosas na cirrose. Ela ocorre quando bactérias da luz intestinal atravessam a mucosa e atingem os linfonodos mesentéricos. Em pacientes com hipertensão portal, esse processo é exacerbado pela congestão venosa e alterações na microbiota. O uso racional de medicamentos, especialmente evitando IBPs desnecessários, é uma estratégia preventiva fundamental para reduzir a morbimortalidade nessa população.
O ácido gástrico é uma barreira natural contra a colonização bacteriana do trato digestivo superior. Ao elevar o pH gástrico, os IBPs permitem que bactérias orofaríngeas e ambientais sobrevivam e colonizem o intestino. Em pacientes cirróticos, que já possuem motilidade intestinal reduzida e permeabilidade aumentada, esse supercrescimento bacteriano facilita a passagem de bactérias e seus produtos (PAMPs) para a circulação sistêmica.
O uso de IBP em cirróticos está fortemente associado a um risco aumentado de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) e infecção por Clostridioides difficile. Além disso, a translocação bacteriana crônica contribui para um estado inflamatório sistêmico que pode precipitar a descompensação da cirrose e a síndrome de insuficiência hepática aguda sobre crônica (ACLF).
Sim, além do uso de IBPs, a disbiose intestinal, o aumento da permeabilidade da barreira mucosa (leaky gut), a redução da imunidade inata local (IgA secretora) e o lentificamento do trânsito intestinal (comum na hipertensão portal) são fatores cruciais que favorecem a translocação bacteriana.
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